PL lança Rogério Marinho para comando do Senado com defesa de Flávio e disputa por votos da direita
por Folhapress

A bancada de senadores do PL lançou, na quarta-feira (4), o líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado —disputa que vai ocorrer em 1º de fevereiro de 2027.
O PL terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura, com 29 das 81 cadeiras. Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que foi derrotado por Lula (PT), Marinho tem ainda o apoio da bancada do Novo, com 3 eleitos.
No próprio campo da direita e do centrão, porém, Marinho terá que enfrentar a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também almeja a presidência do Senado e com quem ele diz ter um acordo para que haja uma unificação adiante. Tereza foi tratada no evento como uma aliada.
Outro concorrente é o próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição e que, apesar de ter feito gestos a Lula na campanha, compete com Marinho e Tereza para tentar ao menos parte dos votos da direita na Casa.
A reunião que lançou Marinho na quarta, em Brasília, teve a presença de 33 senadores, segundo o PL. O líder da oposição disse ser possível alcançar mais de 40 votos para elegê-lo. Senadora eleita, Michelle Bolsonaro (PL) não compareceu.
Em discurso aos senadores, Marinho fez duras críticas ao governo Lula e declarou que, se comandar o Congresso, será a barreira contra “a barbárie que se avizinha no país”.
Ele chamou o presidente de inconsequente e disse que sua perspectiva não é de enfrentamento, mas de “dar a consciência necessária a um governo sem freios” ao modificar propostas que venham do Planalto. O senador prometeu, porém, não paralisar a gestão petista.
Marinho criticou Lula por, segundo ele, querer governar usando o canal de André Janones (Rede-MG), chamado pelo líder da oposição de “exército de fake news e mentira”.
O senador manteve a defesa da agenda bolsonarista, como a anistia aos condenados por golpismo, dizendo que o projeto deve ser apreciado no Congresso sem “coação ou chantagem de outros Poderes”.
Apesar de ter se descolado, na última semana, da carta golpista divulgada por Flávio após fugir aos EUA, Marinho também homenageou o candidato derrotado do PL, dizendo que a polícia está aparelhada e que o aliado não tem no Brasil uma Justiça isenta. Nesse ponto, insistiu que houve abuso da máquina por parte do PT para vencer a eleição.
Marinho disse no dia 28 que nem ele nem o PL podem afirmar que houve fraude nas eleições, como Flávio havia afirmado na carta golpista. Tereza Cristina também pregou respeito ao resultado das urnas, dizendo que a eleição acabou e que é hora de a direita unir esforços.
Blindagem contra Alcolumbre
Nesta quarta, Marinho afirmou que Alcolumbre vai tentar cooptar os senadores da direita com verbas, mas que seu grupo estará blindado. “Vão tentar comprar a consciência dos senhores, mas não vão conseguir”, disse.
Defendeu que haja transparência na eleição, feita com voto secreto. “Não sou radical, sou um político que tem consciência do que acontece no país e não vou me calar.”
O senador do PL diz que ele e Tereza acordaram não disputar entre si. Ou seja, a expectativa é de que a corrida se afunile com a retirada de um dos nomes. A ideia é que, em janeiro, o congressista considerado menos viável abra mão da disputa para que o outro unifique a oposição a Alcolumbre.
“A Tereza tem toda a legitimidade de ser candidata. Ela certamente vai tentar viabilizar sua candidatura”, disse Marinho, ressaltando que ligou para a senadora pela manhã, antes do seu evento.
“No momento oportuno, pelo nosso acerto, nós vamos convergir. […] Tereza é nossa parceira, a gente está do mesmo lado, comungamos das mesmas bandeiras, dos mesmos propósitos. Juntos faremos o possível para derrotarmos o atual presidente”, completou.
Marinho disse que seu partido tem apoios também dentro do PP e do Republicanos. Aliados do senador do PL afirmam que, com a maior bancada, ele tem mais força que Tereza, já que o PP terá seis cadeiras.
Na terça-feira (3), senadores do partido de Tereza se incomodaram com o lançamento de Marinho e com ataques, supostamente feitos por bolsonaristas, em banners e nas redes sociais cobrando que Tereza desista de concorrer. A própria senadora teria se incomodado com a pressão —os banners pedem que ela “pare de atrapalhar a oposição”.
Na reunião do PL, ela foi elogiada. “A Tereza é nossa aliada”, disse Carlos Portinho (PL-RJ).
Impeachment de ministros do STF
Em relação ao impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), objetivo da bancada bolsonarista, Marinho disse que não será sua pauta única, mas se comprometeu a não se omitir.
“Não seremos candidatos com um tema de impeachment de quem quer que seja, mas de respeito à Constituição. […] Ninguém está acima da lei. Se algum ministro cometer crime de responsabilidade, nós não seremos, ao contrário do que acontece hoje, omissos”, respondeu.
Marinho fez uma série de críticas a Alcolumbre e disse que, se eleito, não vai haver imposição ou coação no Senado, prometendo ouvir a maioria dos seus pares.
“A anistia é uma pauta que foi impedida […] de tramitar dentro do Congresso. […] Você tem um Parlamento que está manietado, amordaçado, impedido de funcionar porque está sendo extorquido, chantageado e pressionado de uma forma espúria. Eu lhes garanto que isso não é democracia”, disse.
O voto para a presidência do Senado é secreto, mas parte da oposição defende que os senadores divulguem as cédulas antes de depositá-las nas urnas. A ideia é que a pressão popular constranja os eleitos pela direita e evite um voto escondido em Alcolumbre.
“O voto aberto é recomendável e necessário. Vamos avaliar de que forma isso pode acontecer. Eu acredito que qualquer cidadão brasileiro gostaria de saber como está votando o seu representante, até para que não haja estelionato eleitoral”, disse Marinho.
Em discurso, ele prometeu respeitar a proporcionalidade, a democracia e a discordância. “Ao contrário do que dizem, somos democratas, queremos o diálogo”, afirmou sobre a esquerda.
Depois de fugir para os Estados Unidos, Flávio declarou de lá seu apoio a Marinho na disputa pelo comando do Senado.
É por meio do Senado que a direita bolsonarista quer exercer sua agenda, mesmo tendo perdido a eleição para o Palácio do Planalto. Entre as pautas mais importantes para esse grupo está a anistia para Jair Bolsonaro (PL) e condenados por golpismo no 8 de Janeiro, além do impeachment de ministros do STF.
Na tentativa de permanecer à frente do Senado no ano que vem, o atual presidente da Casa costurou um acordo com o governo Lula e também vem acenando para a oposição.
Alcolumbre prometeu, por exemplo, articular um indulto ou anistia a Bolsonaro em troca do apoio da direita, o que foi rechaçado por senadores bolsonaristas. Flávio, nos EUA, chegou a chamar de nojenta a tentativa de usar a liberdade de seu pai como moeda de troca.
Para se reeleger, o presidente do Senado aposta em traições dentro da oposição e em senadores de direita de partidos do centrão, com quem mantém boas relações.
A federação formada por PP e União Brasil, por exemplo, declarou apoio à reeleição de Alcolumbre, em um movimento para esvaziar Tereza, mas os senadores dos dois partidos não foram consultados previamente e evitaram endossar publicamente a nota.
Tereza, por sua vez, tenta construir a candidatura com base numa rede de apoios alavancada pela bancada feminina, pelo agronegócio e por políticos de centro. A senadora foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro e também participou ativamente da campanha de Flávio.
Entenda a eleição para presidente do Senado
- O presidente do Senado é o terceiro na linha sucessória da Presidência da República, depois do vice-presidente e do presidente da Câmara dos Deputados
- Ele conduz os trabalhos dos senadores, convoca e preside as sessões do Senado e do Congresso, além de poder desempatar algumas votações
- O presidente do Senado decide quais projetos vão a voto no plenário. Tem ainda o poder de definir relatores para os textos
- Ele define as datas das sessões que analisam os vetos presidenciais. As decisões costumam ser negociadas com os líderes, mas a palavra final é dele. Quanto menos sessões de veto, menor o risco de um veto ser derrubado
- O Senado analisa os pedidos de impeachment de ministros do STF. Os últimos presidentes da Casa têm, na prática, servido de obstáculo ao andamento dos pedidos ao não pautá-los
Como é a eleição
- Os 81 senadores escolhem o presidente em votação secreta, e vence quem tiver maioria absoluta de 41 votos. Se ninguém chegar a esse número, há segundo turno no mesmo dia entre os dois mais votados
- A eleição está prevista para 1º de fevereiro de 2027. O mandato é de dois anos
- O PL terá a maior bancada a partir de fevereiro de 2027, com 29 dos 81 senadores


