Um ministro relatou que o Congresso está em busca do “poder perdido”, e isso tensiona a relação.
Outro ministro relatou que, na sua percepção, a reunião teve três pontos principais: respaldar o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, na articulação política, falar do bom momento da economia e cobrar Banco Central e Roberto Campos Neto sobre o patamar dos juros.
Houve a leitura também, segundo relatos do primeiro escalão de Lula, que o país permanece dividido e que essa polarização ajuda a tensionar na relação com o Congresso.
Além desse aspecto político, avaliou-se também que o governo passa por um bom momento na economia, com inflação menor e previsão de crescimento do PIB acima do esperado.
A perspectiva positiva da economia feita pela agência de classificação de risco S&P Global Ratings também foi muito mencionada na reunião, segundo participantes.
Constatou-se que azeitar a política é algo obrigatório para que o bom momento econômico seja atravessado sem ameaças de crises políticas.
Segundo um ministro disse, o presidente Lula ouviu todas as falas e fazia poucas intervenções, deixando para fechar com uma fala final na qual disse ser importante organizar a agenda e conversar com os ministros da área da comunicação.
Ainda segundo relatos dos participantes, Lula disse ainda que compreende que possa haver eventuais indisposições com o Alexandre Padilha, mas que, por vezes, Padilha irá ligar para os ministros para fazer cobranças das demandas dos parlamentares.
Lula também aproveitou sua fala final para criticar o Banco Central. Disse que se o órgão não baixar a taxa de juros, será necessário que o Senado comece também a fazer críticas.
O presidente teria dito ainda não acreditar que sejam meramente técnicas as decisões recentes de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.
A ministra do Turismo, Daniela Carneiro, foi a única a apresentar um filme de sua gestão, no que foi considerado por ministros como uma despedida dela da função.
Padilha e Haddad
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, cobrou na reunião ministerial da quinta-feira (15) que os ministros deem andamento a nomeações, disseram fontes do Palácio do Planalto.
Ainda segundo essas fontes, Padilha foi um dos primeiros a falar e mencionou o que considera uma situação contraditória: um governo de craques, “com Pelé e Tostão” à frente do time — uma alusão ao presidente Lula e ao vice Geraldo Alckmin (PSB) —, com ministérios chefiados por pessoas experientes, mas que acaba prevalecendo uma imagem de um governo alheio ao Parlamento.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, teria mencionado que o clima está tão bom na economia que até Haddad e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, têm defendido a redução da taxa de juros juntos.
No encontro, enquanto Haddad falava sobre o novo programa automotivo, Lula teria dito a Alckmin que o programa do carro novo deve ser prorrogado porque “está um sucesso”.