Empresa fundada por dono de jatinho entra na mira da CVM

Lula e o empresário José Seripieri Filho. Fotos: Lula/Ricardo Stuckert // Reprodução/YouTube Conjur

Por Paulo Moura

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pediu que a administradora de planos de saúde Qualicorp explique oscilações consideradas atípicas pelo órgão regulador nas negociações dos papéis da companhia nos últimos dias. A empresa foi fundada por José Seripieri Filho, que deu carona em seu jatinho para que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajasse para a COP27.

Seripieri Filho, que vendeu todas as suas ações em 2020, possui um acordo de vedação no qual não pode sequer adquirir uma única ação da Qualicorp. Ele é atualmente o dono da QSaúde, que vende planos individuais. No entanto, de acordo com analista de corretoras, a suspeita é de que a proximidade com Lula tenha afetado não somente negócios de Seripieri, mas do setor.

De acordo com a B3, a bolsa de valores oficial do Brasil, as ações ordinárias da Qualicorp estavam cotadas a R$ 5,82, em 17 de novembro. No entanto, a ação saltou para R$ 6,02 no dia seguinte e liderou as altas na bolsa, ao lado de Hapvida, parceira comercial da Qualicorp.

A CVM apontou que, no dia 3 de novembro, as ações da Qualicorp foram cotadas a R$ 8,10, com 9.782 negociações. Já no dia 17, quando as ações fecharam a R$ 5,82, o volume de negócios foi de 16,8 mil operações. Na última semana, no entanto, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, a empresa recuperou parte das perdas acumuladas no período apontado pelo órgão regulador.

Na sexta-feira (18), o diretor financeiro da Qualicorp, Carlos de Carvalho Neto, disse à CVM que a companhia não tem conhecimento de “qualquer informação pendente de divulgação” que pudesse justificar as oscilações. Além disso, a empresa disse ter inquirido seus administradores e eles afirmaram desconhecer “quaisquer atos ou fatos que possam justificar” as variações.

RELAÇÃO DE SERIPIERI FILHO E LULA
O fato de Lula ter viajado na aeronave de Seripieri Filho para o Egito causou polêmica desde que o fato veio a público. Em 2020, o empresário foi preso durante a Operação Paralelo 23, um desmembramento da Lava Jato. As investigações indicaram um pagamento de R$ 5 milhões, não contabilizados, feitos a mando de Seripieri à campanha de José Serra ao Senado em 2014.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, as doações foram feitas em duas parcelas de R$ 1 milhão e uma de R$ 3 milhões. Após ficar quatro dias preso, a Justiça Eleitoral de São Paulo ordenou a soltura de Júnior e de outros dois empresários.

Em novembro de 2020, Serra, José Seripieri Filho e mais dois empresários se tornaram réus na Justiça Eleitoral em São Paulo. O grupo foi acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e caixa 2. No fim de novembro daquele ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou acordo de delação premiada com o empresário.

Bastante próximo de Lula, José Seripieri Filho foi um dos primeiros empresários a encontrar o petista durante a campanha eleitoral deste ano. Além disso, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele realizou uma doação de R$ 500 mil para a candidatura do agora presidente eleito no último dia 27 de outubro.

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