Estudantes apresentavam trabalho quando turma foi surpreendida por tiros na UEPB, em Campina Grande: ‘a ficha ainda não caiu’

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ciac - central de integração acadêmica

CIAC - Central de Integração Acadêmica do campus de Bodocongó da UEPB, em Campina Grande. Foto: Reprodução/TV Paraíba/Arquivo

“A ficha ainda não caiu.”  A frase é da estudante Bianca Menezes da Silva, de 20 anos, do quinto período do curso de Jornalismo da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que estava em sala de aula na noite de quinta-feira (3), quando tiros interromperam a rotina acadêmica no prédio da Central de Aulas, no bairro de Bodocongó, em Campina Grande.  Um homem foi morto no local por volta das 20h20 , no mesmo andar onde os estudantes estavam reunidos em aula.

Bianca apresentou, junto com uma colega de 18 anos de idade, um trabalho da disciplina de Laboratório de Produção Gráfica e Digital. A primeira aula da noite havia sido cancelada e parte da turma, composta por cerca de 35 alunos, não compareceu. Os tiros surgiram quando o segundo grupo, que era justamente o de Bianca Menezes, iniciou a apresentação.

“Pelo vídeo dá para perceber que continuei apresentando, a professora rindo com nosso trabalho, interagindo, daí depois a gente começou a olhar um para a cara do outro e pensar: ‘Meu Deus, é tiro!’”, contorno.

O vídeo, que tem cerca de 14 segundos de duração, mostra os estudantes apresentando o seminário, no momento em que o primeiro disparo de arma de fogo é ouvido (veja o vídeo clicando aqui ). Eles se olham e cerca de 4 segundos depois outros três tiros são ouvidos.

Diante dos barulhos, os alunos se abaixaram no fundo da sala e improvisaram uma barricada com mesas, com apoio da professora. Uma das estudantes teve crise de ansiedade e dúvidas em posição fetal, chorando, durante o ocorrido.

Bianca Menezes foi designada para a Polícia Militar duas vezes, pelo número 190. A primeira chamada foi feita às 20h23, e a segunda às 20h27. Ela afirmou que conseguiu conversar por dois minutos com um atendente da PM, forneceu detalhes do local e da situação, mas não obteve mais resposta.

“Ela perguntou em quantos estavam, onde estávamos, mas depois não me respondeu mais. Eu saíi pensando que meu celular tinha travado. Quando voltei a ligar, ninguém atendeu mais”, relatou.

Segundo a lua, os tiros duraram cerca de três minutos. O grupo ficou trancado na sala por aproximadamente 15 minutos, até que o prédio começou a ser evacuado por volta das 20h35. O movimento gerou corrida, pânico e choro entre os estudantes.

“Todos correndo, não sabiam para onde ir, pessoas em pânico, chorando e com medo de ser o massacre, realmente”, disse.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

Homicídio na UEPB teria sido motivado por relação da vítima com ex do suspeito

Crime aconteceu em um dos estabelecimentos da UEPB — Foto: Geraldo Jerônimo/TV Paraíba
Crime aconteceu em um dos estabelecimentos da UEPB — Foto: Geraldo Jerônimo/TV Paraíba

Segundo a Polícia Civil, o suspeito, Flávio Medeiros, de 47 anos, não aceitou o fim do relacionamento com a ex-esposa. Além disso, descobriu que ela estaria se relacionando com Keine Diniz, de 40 anos.

Segundo a Polícia Civil,  de forma premeditada, foi até a UEPB, onde a vítima estava, e atirou várias vezes . O suspeito ainda tentou entrar na escola onde a ex-esposa estava trabalhando, no bairro Três Irmãs, mas não conseguiu.

Suspeito morre horas depois

O suspeito de matar um homem dentro da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) morreu na manhã de sexta-feira (4). Flávio Medeiros estava internado em estado grave no Hospital de Trauma de Campina Grande desde quinta-feira (3), quando cometeu o crime.

Segundo a Polícia Civil, Flávio planejou o crime após descobrir que a vítima, o empresário Keine Diniz, estava se relacionando com sua ex-esposa.  Ele não aceitou o fim do relacionamento.

Keine é sócio de uma copiadora da universidade e não foi constituído quando foi baleado por Flávio, ainda de acordo com a polícia. O suspeito ainda tentou entrar na escola onde uma ex-esposa estava trabalhando, no bairro Três Irmãs, distante cerca de 20 minutos da instituição, mas não conseguiu.

Em seguida, o suspeito foi até uma estrada da cidade e atirou na própria cabeça.

Foto: reprodução
Flávio Medeiros // Keine Diniz

Aulas suspensas

UEPB suspendeu as aulas na sexta-feira (4) . Em nota, a instituição informou que a suspensão das atividades na universidade será até dia 11 de abril, para que sejam tomadas medidas para o reforço da segurança. Segundo a UEPB, a instituição tem 11.944 estudantes matriculados no semestre 2025.1 no Campus I, em Campina Grande, onde o crime ocorreu.

Durante esse período, as atividades administrativas serão realizadas de forma remota. “Essa medida emergencial visa garantir a segurança da comunidade universitária, permitindo que possamos, juntamente com as autoridades de segurança pública, tomar medidas de controle de acesso nas dependências da Instituição”, diz a nota.

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