Fator eleitoral não vai ser economia, vai ser segurança e nacionalismo, diz Paulo Guedes

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Paulo Guedes. Foto: Reprodução/Folha de S. Paulo

Na avaliação do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, as próximas eleições não serão definidas por debates econômicos, mas por uma onda conservadora da classe média.

“Não vai ser economia o fator eleitoral. É a segurança, a segurança pessoal, segurança econômica, segurança para os seus filhos, nacionalismo de volta. São valores conservadores”, disse o ministro de Jair Bolsonaro (PL) na quinta-feira (23), em evento da Anfidc (Associação Nacional dos Participantes em Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios).

A expectativa é que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dispute a sua reeleição contra um ou mais representantes de partidos da direita. Entre os possíveis presidenciáveis está o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Começou todo mundo a ficar irritado, sacudido porque não estão felizes. As classes médias estão desencantadas, há um desconforto”, disse Guedes sobre a onda conservadora que elegeu presidentes em outros países recentemente, como Giorgia Meloni, na Itália, e Donald Trump, nos Estados Unidos.

O ex-ministro também criticou de forma indireta o atual governo Lula, citando o aumento dos gastos públicos, da inflação e dos juros.

Apesar das críticas, Guedes disse que o Brasil tem potencial para surfar a onda de energia limpa, atraindo investimentos dada a matriz energética sustentável.

“Nós temos uma hora mágica para nós. Energia verde e barata. O Brasil é o que [os países estrangeiros] querem ser daqui uns 10, 15, 20 anos. Vocês querem ter 80% da matriz renovada? Nós temos”, afirmou o economista.

Segundo Guedes, para o crescimento econômico, é necessário combinar democracia e liberdade de mercado.

“[Com] o governo fazendo a função básica, o Brasil crescia 7%. Na hora que você começou a ter ministro planejamento, [o crescimento] caiu para 5%, depois caiu para 3%, agora é zero”, afirmou.

No mesmo evento, Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, endossou as críticas à política fiscal do atual governo.

“Não tá legal, não está correto e a postura atual do governo está errada e precisa mudar. É necessário o equilíbrio orçamentário”, disse Franco.

Na visão do economista, a situação fiscal brasileira se traduz em juros altos e, caso o governo aumente os gastos com a eleição, a trajetória da Selic pode ser impactada.

“Se a gente imaginar R$ 300 bilhões a mais de gasto público em razão de imperativos eleitorais, com a economia em pleno emprego, eu tenho medo do Banco Central ficar numa sinuca, porque vai estressar o objetivo de manter a inflação dentro da meta e vai estressar também a restrição fiscal e a necessidade de rolar a dívida. Vai deixar o Banco Central numa saia justa. Não gostaria de estar lá para resolver esse assunto”, afirmou Franco.

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