FMI aumenta previsão de crescimento do Brasil e da China, mas reduz a do mundo

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Kristalina Georgieva, economista-chefe do FMI, participa de evento do fundo na França - Ludovic Marin - 17.jun.26/AFP

O FMI (Fundo Monetário Internacional) reduziu a previsão de crescimento global de 3,1% para 3% neste ano, alertando para os riscos contínuos representados pela guerra no Oriente Médio, pela fragmentação do comércio e por possíveis correções nas expectativas do mercado em relação à inteligência artificial.

O fundo, no entanto, melhorou suas projeções para o Brasil em 2026 e 2027. Também passou a ver uma desaceleração da atividade no próximo ano, de acordo com documento divulgado na quarta-feira (8).

A atualização do relatório Perspectiva Econômica Global mostrou que o FMI agora vê expansão de 2,4% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2026, acima do 1,9% calculado em abril. Para o ano que vem, a estimativa subiu em 0,2 ponto percentual, para 2,2%.

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A projeção do FMI para este ano é melhor do que a do Ministério da Fazenda, que previu em maio uma expansão de 2,3%, e que a do Banco Central, de 2%. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia adiantado na semana passada que o FMI iria reajustar a projeção para a economia do Brasil.

Já para o PIB global, o fundo prevê que o crescimento deve se recuperar para 3,4% em 2027, ainda abaixo da média de 3,5% observada em 2024 e 2025. O FMI também elevou a previsão de inflação para 4,7% neste ano e 3,9% em 2027, principalmente por causa das consequências econômicas da guerra no Irã.

A projeção desta quarta é significativamente mais alta do que a estimativa de abril, quando o fundo previa inflação de 4,4% em 2026 e 3,7% em 2027. Antes do início da guerra em fevereiro, o FMI havia previsto inflação global de 3,8% neste ano e 3,4% em 2027.

O relatório, finalizado antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar na véspera que o cessar-fogo com o Irã estava “encerrado”, afirma que, embora a economia global tenha resistido ao conflito no Oriente Médio melhor do que o esperado até agora, a ameaça de novas hostilidades “paira no ar”.

“Uma reescalada das tensões geopolíticas prejudicaria o crescimento e agravaria as pressões inflacionárias”, avalia o fundo, que também destaca a possibilidade de novas ameaças à segurança alimentar se houver mais interrupções nos mercados de fertilizantes e energia.

Os preços de energia estão 25% mais altos agora do que antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, e permanecerão mais elevados, segundo o FMI. A nova previsão pressupõe que o estreito de Hormuz retorne às condições pré-guerra até março de 2027.

“A tendência de desinflação que vínhamos observando desde o início de 2024 estagnou”, disse Petya Koeva Brooks, diretora adjunta do departamento de pesquisa do FMI, ao Financial Times.

O FMI é mais otimista em relação à resiliência de países exportadores de energia e fortemente integrados ao setor de tecnologia. As nações importadoras de commodities, segundo o fundo, não estão bem posicionadas para se beneficiar dos avanços da IA e tiveram suas previsões de crescimento revisadas para baixo.

“Um novo conflito na região vai pegar a economia global em uma situação pior do que da primeira vez”, avaliou Deniz Igan, chefe da divisão de Estudos Econômicos Mundiais do departamento de pesquisa do FMI, acrescentando que um esforço simultâneo de muitos países para reconstruir suas reservas de petróleo também pode desencadear uma alta nos preços.

O crescimento do comércio global também deve desacelerar em 2026, saindo de 5% em 2025 para 3,5% este ano. A queda é reflexo de uma forte antecipação de compras em 2025 devido à política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O comércio deve se recuperar e voltar a crescer em 2027, indo a 4,3%.

O FMI pediu que autoridades permaneçam concentraas na estabilidade de preços enquanto avaliam o efeito dos preços voláteis das commodities e da crescente demanda por novas tecnologias de IA.

PREVISÃO DOS EUA É MANTIDA, E SOBE NA CHINA

O FMI manteve sua previsão de crescimento para a economia dos EUA em 2026 em 2,3%, e elevou a projeção para 2027 em 0,1 ponto percentual em relação à previsão de abril, a 2,2%.

A previsão de crescimento para a zona do euro em 2026 caiu de 1,1% em abril para 0,9%, ante 1,1% em abril, enquanto para 2027 a conta foi mantida em 1,2%. A economia europeia, como importadora significativa de commodities, foi particularmente afetada pela guerra, disse Koeva Brooks.

Para a China, a previsão também subiu para 4,6% em 2026, acima dos 4,4% previstos em abril, e que a expansão em 2027 chegue a 4,1%, contra 4% em abril.

Os países produtores de petróleo no Oriente Médio foram os mais atingidos pela guerra e devem enfrentar fortes contrações este ano. Nações que mais consomem energia também estão enfrentando uma queda devido aos preços mais altos do petróleo. O crescimento na Índia deve cair para 6,4% neste ano, ante 7,7% em 2025.

A perspectiva para o Irã, no entanto, foi modestamente elevada desde abril, já que as sanções americanas sobre suas exportações de petróleo foram temporariamente relaxadas. Nesta semana, no entanto, o governo Trump revogou uma licença de 60 dias que permitia a venda de produtos energéticos iranianos após petroleiros serem atacados ao tentar passar pelo estreito de Hormuz.

Para a América Latina e Caribe, o FMI vê agora expansão de 2,4% em 2026 (alta de 0,1 ponto percentual sobre o estimado em abril) e de 2,7% em 2027 (estável).

No caso das Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento, das quais o Brasil faz parte, o crescimento foi estimado em 3,8% este ano, uma queda de 0,1 ponto, indo a 4,5% no próximo, alta de 0,3 ponto na comparação com abril.

“As revisões são heterogêneas, refletindo diferenças na dependência de commodities, na exposição geográfica, nas remessas e receitas de turismo, na sensibilidade às condições financeiras e na posição ocupada na cadeia global de valor da tecnologia”, disse o FMI.

Com informações de Reuters, Financial Times e New York Times

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