Gilmar relata no STF encontro ‘divertido’ com Moro em que o acusou de roubar galinhas com Deltan

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e o então juiz federal Sergio Moro no plenário do Senado em 2016 - Geraldo Magela -1º.dez.2016/Agência Senado

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), comentou na terça-feira (11) encontro que teve com o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) no início de abril. O magistrado afirmou que a audiência, em que fez pessoalmente as críticas que reiteradamente tece sobre a Operação Lava Jato, foi “muito divertida”.

“Eu, até num encontro muito divertido que tive não faz muito tempo com o senador Sergio Moro, tive a oportunidade de dizer isso a ele, viva voz, como é do meu feitio. Eu disse a ele, usando uma expressão do nosso mundo rural, que há muito tempo eu já falava e denunciava que ele e [o procurador Deltan] Dallagnol roubavam galinhas juntos. É uma expressão lá do meu Mato Grosso”, disse.

A declaração foi dada em sessão da Segunda Turma da corte. O colegiado julgava uma reclamação da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o encerramento de uma ação de improbidade contra a construtora Queiroz Galvão, em curso na Justiça Federal de Curitiba (PR).

A conversa entre Gilmar e Moro foi recheada de críticas do magistrado ao ex-juiz pela atuação à frente da Lava Jato. Apesar disso, interlocutores do ministro afirmaram, à época, que o encontro teve um “tom cordial”.

Os dois estiveram juntos em 2 de abril. Moro pediu a audiência para abrir um canal de diálogo com o ministro e outros magistrados do STF. Naquele momento, estava em aberto ainda o julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que poderia cassar seu mandato —ele acabou sendo absolvido.

Moro também responde a um inquérito no Supremo. Pouco mais de dois meses após o encontro no STF, a Primeira Turma do tribunal aceitou uma denúncia da PGR e tornou o senador réu sob acusação do crime de calúnia por um vídeo viralizado nas redes sociais no qual ele aparece falando a interlocutores sobre “comprar um habeas corpus de Gilmar Mendes”.

A declaração de Gilmar sobre o encontro foi proferida em julgamento no qual a turma analisou novo pedido da PGR contra uma decisão sua que encerrou o processo em relação à acusação de pagamento de propina ao deputado Eduardo da Fonte (PP-PE).

A mesma denúncia contra o parlamentar já havia sido rejeitada pela Segunda Turma do STF por falta de provas. Uma ação de improbidade contra ele também foi trancada pelo Supremo por se basear nos mesmos fatos.

A PGR argumenta que a ação contra a empresa não pode ser encerrada em decorrência do trancamento do processo contra o parlamentar.

Gilmar é o relator do caso e fez um voto de mais de uma hora com diversas críticas à atuação do Ministério Público nos processos da Lava Jato. Por fim, o ministro André Mendonça pediu vista e suspendeu a análise do caso.

Ao se dirigir ao colega, que já atuou na CGU (Controladoria-Geral da União), Gilmar citou a Operação Spoofing da Polícia Federal, que investigou a invasão hacker a aparelhos de procuradores da Lava Jato em Curitiba.

“Eu até tinha trazido aqui, para me divertir um pouco mais, mais informações da [operação] Spoofing e uma das brincadeiras diletas dos procuradores é ‘como nós vamos obter o acordo de leniência que façamos quebrar a empresa’, mas Vossa Excelência conhece bem a matéria e essa prática a partir da sua experiência da CGU”, afirmou o ministro.

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