Os números se avolumam quando são consideradas representações nos estados. No levantamento em que a reportagem se baseou, produzido pela consultoria Ética Inteligência Política, não há esse detalhamento.
Alvo de partidos do Centrão, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome tem hoje quatro departamentos esperando preenchimento. O titular da pasta, o petista Wellington Dias, entrou na mira e sua substituição já é aventada nos bastidores, apesar da proximidade com o mandatário.
Na Saúde, a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) é alvo da maior cobiça. A medida provisória que extinguia a Funasa (MP 1.156/2023) perdeu validade e, após um limbo, o órgão deverá ser reerguido nos próximos dias, havendo grande expectativa sobre ele.
No comando da Saúde, a socióloga e ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Nísia Trindade tem sido bombardeada, mas Lula disse que não irá tirá-la do posto. Para ele, é questão de honra fazer uma gestão técnica/científica e completamente inversa à de Jair Bolsonaro (PL) na área. Durante a pandemia, o ex-presidente se notabilizou por posições negacionistas e por pregar contra a vacinação da população.
Por outro lado, ministérios com sede no Palácio do Planalto – como Casa Civil, Secretaria-Geral e Gabinete de Segurança Institucional (GSI) – estão totalmente preenchidos. É também o caso dos ministérios da Cultura, do Esporte, das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.
A medida provisória que reestruturou a Esplanada (MP 1.154/2023) só foi votada pelo Congresso no último dia do prazo de vigência, em junho. A votação ocorreu num momento em que a articulação política do governo mostrava fragilidade.
Tendo problemas na relação com o Congresso, segmentos importantes da estrutura proposta por Lula foram modificados. No Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, a ministra Marina Silva perdeu a gestão sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Também a inédita pasta dos Povos Indígenas, de Sonia Guajajara, perdeu a competência de reconhecer e demarcar terras indígenas.
Centrão no governo
Nos últimos dias, partidos do Centrão avançaram na negociação de cargos no terceiro governo Lula. A entrada do bloco formado pelas legendas Republicanos e PP já é considerada “certa” por interlocutores do Palácio do Planalto.
As conversas se intensificaram após a semana de esforço concentrado na Câmara dos Deputados, de 3 a 7 de julho, que levou à aprovação de pautas importantes para o Executivo, como a reforma tributária e o retorno do voto de qualidade que beneficia o governo no Conselho Administrativo de Recursos Federais (Carf).
As tratativas caminham no sentido de selar acordos que possam garantir mais tranquilidade a Lula em votações no restante do ano.
Entre as siglas que estão de olho no Planalto, encontra-se, justamente, o Partido Progressista (PP), mesma legenda do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), o Republicanos e o União Brasil. No caso deste último, apesar de já ter indicado três ministros (Juscelino Filho, nas Comunicações, Waldez Góes, na Integração, e Celso Sabino, no Turismo), a fidelidade ainda não é completa.
Caso a adesão dos três partidos se confirme, o governo contabilizaria 217 parlamentares em sua base aliada na Câmara (incluindo os votos da bancada do PT, que tem 68 deputados). O número é próximo do necessário para aprovar projetos de lei: 257 votos.
Os últimos movimentos mostram que o governo conseguiu alinhar pautas para emplacar vitórias econômicas antes do recesso parlamentar. Os ganhos devem ser atribuídos não só à base de Lula, que ainda está em acerto, mas também aos partidos de centro que acenaram ao governo.