Governo Trump anuncia revogação de política climática dos EUA
Lee Zeldin, diretor da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês), em discurso na Carolina do Sul em maio - Kevin Lamarque - 1º.mai.25/AFP
O governo Donald Trump anunciou na terça-feira (29) que irá revogar a base estabelecida em 2009 para regular as emissões de gases de efeito estufa, provenientes tanto dos escapamentos de veículos quanto de usinas a gás e carvão nos Estados Unidos.
Após uma decisão da Suprema Corte, a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) determinou durante o primeiro mandato do ex-presidente democrata Barack Obama que os gases de efeito estufa são perigosos para a saúde pública e, portanto, poderiam ser regulados com base em uma legislação de 1970, a Lei do Ar Limpo.
A chamada Declaração de Perigo de 2009 constitui a base legal de muitas regulamentações federais voltadas ao combate ao aquecimento global.
Desde que Trump, defensor dos combustíveis fósseis e negacionista do aquecimento global, voltou à Casa Branca em janeiro, as autoridades federais mudaram de rumo nas políticas climáticas.
O anúncio da terça-feira, o mais recente de uma série, ainda deverá passar por uma fase de consulta pública de 45 dias.
“Se for concretizado, o anúncio de hoje representará a maior medida desregulatória da história dos Estados Unidos”, declarou o diretor da EPA, Lee Zeldin, em um evento realizado em uma concessionária de automóveis no norte do país.
Zeldin acusa a EPA de ter chegado em 2009 a conclusões apressadas, conclusões essas que contam com amplo consenso científico, mas que, segundo ele, causaram prejuízos significativos à economia americana.
‘Falência’
“Os conservadores amam o meio ambiente, querem ser bons administradores do meio ambiente”, disse Zeldin nesta terça-feira no podcast conservador Ruthless. “Mas há pessoas que (…) estão dispostas a levar o país à falência em nome da justiça ambiental”, acrescentou.
O setor de transportes é a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa nos Estados Unidos, pois a imensa maioria da população depende do automóvel em seus deslocamentos cotidianos.
Carros e usinas a carvão
Segundo análise recente da ONG NRDC (Natural Resources Defense Council), se fosse um país, o setor de transportes dos Estados Unidos seria o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, e o setor de energia, o quinto.
A decisão anunciada nesta terça-feira também afetará as normas sobre emissões de usinas a gás e carvão em um país onde cerca de 60% da eletricidade ainda é gerada a partir de combustíveis fósseis.
A decisão de 2009 sobreviveu a diversos desafios legais movidos pela indústria ao longo dos anos, explicou à AFP Dan Becker, do Centro pela Diversidade Biológica.
“Mas desta vez, é o próprio governo que está liderando o ataque”, disse ele.
É esperado que grupos ambientalistas e estados americanos levem o caso à Justiça, em uma batalha legal que poderá chegar à Suprema Corte, “um tribunal altamente politizado”, com seis juízes conservadores e três progressistas, avaliou Becker.
Desde janeiro, Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris e favoreceu a exploração de petróleo e gás, especialmente em regiões do Alasca.
O fenômeno das mudanças climáticas se distingue dos ciclos naturais do passado por sua rapidez sem precedentes e pelo fato de ser claramente atribuível às atividades humanas —especialmente ao uso massivo de fontes fósseis de energia (gás, petróleo e carvão) desde o final do século 19—, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).