Homem acusado no caso Gisèle Pelicot propôs drogar e estuprar própria mãe
Gisèle Pélicot — Foto: Christophe SIMON / AFP
Um homem que trabalha em um vinhedo na França e é um dos acusados no caso Gisèle Pelicot também propôs que a própria mãe fosse drogada e estuprada, de acordo com informações publicadas pelo jornal britânico Guardian.
Charly A, 30, é um dos 51 homens em julgamento no caso em que Dominique Pelicot, então marido de Gisèle, a fazia consumir remédios com efeitos sedativos sem ela saber. Enquanto estava desacordada, praticava atos sexuais sem a sua autorização. Por meio de chats online, convidou mais de 70 homens a fazer o mesmo. A maioria dos crimes foi cometida na casa deles, em Mazan, no sudeste do país, com tudo filmado pelo marido.
Dominique confessou ter adicionado drogas na comida e bebida dela e convidado outras pessoas para se juntarem a ele ao estuprarem Gisèle, avó e ex-gerente de uma grande empresa, quando ela estava inconsciente. Ele afirmou à corte: “Eu sou um estuprador”.
Ainda de acordo com o jornal britânico, Charly A, que trabalha em um vinhedo e antes trabalhou para uma empresa de cimento, passou parte de sua infância em Mazan e morava a 30 minutos da casa dos Pelicot.
Ele é acusado de dirigir até o local em seis ocasiões entre 2016 e 2020 para estuprar Gisèle. Na primeira ocasião, Charly A tinha 22 anos e Gisèle tinha 64 anos. Charly A e Dominique Pelicot também são acusados de estuprar Gisèle Pelicot na noite de seu aniversário de 66 anos.
De acordo com o Guardian, Charly negou o estupro, afirmando que acreditava que Gisèle fingia dormir, como havia mencionado Dominique pela internet. Um vídeo mostra uma conversa entre Dominique e Charly, no mesmo quarto em que estava Gisèle, combinando de fazer o mesmo com a mãe de Charly —uma cuidadora e mãe de três filhos, que morou na mesma região que os Pelicot, no sul da França.
Charly A disse que fez a sugestão depois de Dominique ter perguntado se havia outra mulher em sua família ou convívio que gostaria de estuprar ou ver estuprada. O investigado disse que fez a afirmação porque tinha medo de Dominique, que era insistente, mas que não tinha a intenção de executar o plano.
Na filmagem, Charly A diz que vai dar endereço e uma data para o crime, mas os dois alegam que o estupro não aconteceu.
Dominique Pelicot deu a Charly A três comprimidos sedativos e instruções de como usá-los. Charly A afirmou que os descartou, mas testes em uma amostra de cabelo de sua mãe são compatíveis com uso esporádico ou único de sedativos. A mulher, porém, afirma nunca ter usado esse tipo de medicamento.
Segundo Charly, ele nunca teve a intenção de levar os planos adiante e disse que seguiu dando desculpas para que Dominique não pudesse encontrá-la.
A maioria dos homens acusados de estuprar Gisèle contestaram as acusações. Muitos alegaram que foram enganados por Dominique, dizendo que ele os convidou para um ménage com sua esposa. Alguns dizem que foram levados a crer que ela estava dormindo —ou fingia estar dormindo— como parte da fantasia sexual do casal.
A pedido de Gisèle, o julgamento do caso é público, sob a justificativa de que “a vergonha tem que mudar de lado”. No início de outubro, vídeos em que Gisèle aparece em uma cama, com os braços inertes e boca aberta, roncando, foram mostrados à corte.
Ela lutou para que os vídeos fossem exibidos publicamente no tribunal porque afirma serem provas incontestáveis dos crimes. Enquanto a maioria das vítimas de estupro tem apenas a sua palavra e memória dos acontecimentos, ela tem uma biblioteca de provas sob a forma de vídeos e fotos —produzidos pelo seu próprio marido.