Humor e firmeza: Richarlison se torna um dos líderes da Seleção

Richarlison. Foto: Buda Mendes - FIFA/FIFA via Getty Images

Por Samir Mello

Doha (Catar) – Quem assistiu a coletiva de Richarlison na tarde da segunda-feira (21/11), no estádio Gran Hamad, e não conhece muito sobre o camisa 9 da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, pode se apressar e tachá-lo de “marrento”. No entanto, o atual jogador do Tottenham simplesmente fez o que vem fazendo em sua carreira.

Nas redes sociais da Seleção Brasileira, é possível ver um Richarlison irreverente, bem-humorado, sempre brincando com seus companheiros. “I speak English, my friend”, disse o atacante, cheio de confiança, para a imprensa, após ter dispensado a indicação do assessor do Brasil, para que usasse os serviços de um tradutor.

Após ser perguntado sobre um possível retorno do corte “antizica”, Richarlison falou que deve manter o corte Zeca Urubu, “que o Ederson faz”.

No entanto, Richarlison também sabe falar sério. O jogador é um dos poucos e mais proeminentes que ousa utilizar suas plataformas para falar sobre assuntos sensíveis, como racismo e desigualdade social.

Na coletiva, ao falar sobre as questões que problematizam o Mundial do Catar, foi direto: “Independente de qualquer coisa, temos que respeitar a opinião de cada um, de cada seleção. Aqui ainda não sei o que vão fazer, se vão usar faixa de LBGT, contra o racismo, eu apoio em qualquer situação”, disse o atacante.

“Hoje vivemos em um mundo muito perigoso, onde não podemos ter opiniões. Independente de qualquer coisa, seja contra o racismo, do movimento LBGT, eu apoio qualquer causa”, ressaltou.

Companheirismo

Richarlison também demonstrou que o seu lado companheiro não serve só para o humor, ao defender Neymar de um jornalista alemão que chamou o atacante de arrogante, porque tirou uma foto com o emoji de uma sexta estrela.

São esses dois lados de sua personalidade que credenciam Richarlison ao posto de um dos líderes da Seleção Brasileira, ao lado de nomes como Daniel Alves, Casemiro e Thiago Silva.

Confiante, Richarlison sabe do tamanho da responsabilidade que tem ao carregar a 9 nas costas. Porém, o atacante tem encarado os desafios com naturalidade, como pôde ser visto ao responder a pergunta sobre as diferenças culturais e climáticas do Catar.

“Eu não senti nada diferente, particularmente. Eu me sinto também como se estivesse lá no Brasil, solzinho, clima bom. A comida é a mesma, arroz, feijão, então para mim não mudou nada”, respondeu.

Contra a Sérvia, na próxima quinta-feira (24/11), no estádio Lusail, o torcedor vai desejar que Richarlison se sinta tão à vontade em campo como ele tem demonstrado fora dele até aqui.

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