Jornalista americano viraliza ao celebrar cultura e hábitos dos brasileiros nas redes

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William Jeffrey, jornalista que viralizou nas redes sociais como Diacho de Gringo

Assim que a câmera é ligada, William Jeffrey, 67, aparece sorrindo, e brinca ao perguntar, em inglês, como está o clima no Brasil —mesmo estando ele próprio no Tatuapé, zona leste de São Paulo.

A energia que ele exibe nos vídeos é exatamente a mesma: movimentado, curioso, empolgado, como quem ainda está descobrindo o país onde vive há um ano. É nesse ritmo que o “Diacho de Gringo “, sua página nas redes, transformou o olhar estrangeiro em algo que vai muito além do clichê do estrangeiro que prova as comidas do país, acha tudo “exótico” e elogia a simpatia do brasileiro.

Seus vídeos —bem editados, cheios de referências históricas e comparações improváveis— lembram pequenos documentários em ritmo acelerado.

Jeffrey é jornalista e antes de viralizar falando sobre o Brasil, passou décadas nas redações e telejornais dos Estados Unidos, fazendo reportagens de assuntos variados.E foi desse repertório que nasceu o estilo que hoje conquista mais de meio milhão de seguidores: vídeos informativos e conduzidos com muitas informações sobre o país que escolheu para viver.

“Eu sempre contei histórias de forma visual, isso vem da minha vida inteira na TV”, explica. “Quando me mudei para cá, minha mulher me incentivou: ‘continua mostrando o mundo do jeito que você enxerga’. Testei, funcionou, e as histórias começaram a crescer sem que eu esperasse.”

A trajetória na internet começou sem maiores pretensões: ele e a esposa, Rafaela Aparecida, 35, postavam vídeos apenas no TikTok, sem planos de transformar aquilo em carreira. Mas a resposta do público foi imediata —especialmente porque Jeffrey não se encaixava no molde mais comum dos criadores gringos.

Ele explica que não se limita a comer pastel, reagir a memes ou repetir expressões brasileiras; Mas mergulha em história, visita cidades pequenas, explica contextos e faz conexões com sua experiência como repórter em Boston e Washington. Um dos exemplos, é quando visitou um dos locais do programa social Bom Prato e se emocionou com a distribução de alimentos.

“Eu sou apaixonado por história”, diz. “Nos Estados Unidos, cobri revolução, literatura, política… e quando cheguei ao Brasil percebi que aqui não faltam histórias incríveis. Cada bairro, cada cidade, cada pessoa tem algo que me surpreende. É impossível ficar sem assunto.”

Essa curiosidade, segundo ele, virou combustível —e também uma espécie de missão pessoal. “Os seguidores agora me pedem pautas. Dizem: ‘Você contou aquela história ali, por que não vai aqui também?’ E eu adoro isso. É como voltar a ser repórter, mas do jeito que sempre quis.”

Entre risos, ele admite que comer (ele se mostrou encantado por padarias, cafeterias e feiras) é só um pedaço pequeno do conteúdo. “Eu provo comidas brasileiras porque gosto, mas nunca quis ficar preso a isso. Há coisa demais para explorar.”

A surpresa mais marcante no Brasil, segundo Jeffrey, está nas pessoas. “Nos Estados Unidos tudo é muito rápido. Aqui, as pessoas têm paciência comigo, principalmente por causa da língua. E o senso de humor brasileiro… é diferente, no melhor sentido. Eu adoro isso.”

Ele conta que mora perto de um parquinho e virou atração infantil quando os vizinhos descobriram que ele era americano. “As crianças passaram a me chamar pelo nome, dar tchau todo dia. Isso não acontecia na minha vida antiga.”

JORNALISMO E VIDA

A lista de entrevistados ao longo da carreira impressiona: Stephen King, Tom Clancy, Mike Tyson, Tony Curtis, Sammy Davis Jr., Biden, Trump e Jimmy Carter (1924 – 2024). Mesmo assim, ele afirma que as histórias mais marcantes sempre foram as anônimas. “Os bombeiros com quem entrei numa casa incendiada, a mulher em situação de rua que fundou uma cozinha comunitária… são essas pessoas que ficam comigo.”

Hoje, ele vê as redes sociais mais como “oportunidade” do que como trabalho. “Estou aposentado. Se der para ganhar dinheiro fazendo isso, ótimo, mas não por qualquer motivo. Só fiz parceria com uma escola de comunicação até agora. O meu sonho seria trabalhar com turismo no Brasil. Viajar, aprender, contar histórias. Seria perfeito.”

O português ainda é um desafio diário, mas ele leva o estudo a sério. “Quando cheguei, eu não sabia absolutamente nada. Agora uso aplicativos, estudo todos os dias e pratico com os vizinhos. Consegui fazer minha primeira compra sozinho recentemente —pedi, paguei, conversei. Fiquei feliz por conseguir me virar.” Ele diz ler melhor do que falar e considerar o português “uma língua romântica”.

A esposa, Rafaela, acompanha de perto todo esse processo —e também participa da construção do conteúdo. Tradutora de livros e jogos, ela revisa os roteiros, ajuda nas gravações e é responsável por adaptar parte dos vídeos para o português.

Ela também foi a primeira pessoa a perceber que o talento jornalístico dele poderia funcionar nas redes. “Os elogios que ele ganhava era sempre por histórias curiosas. Percebi que isso, no Brasil, funcionaria muito. Ele olha para tudo com encanto. As pessoas gostam dessa perspectiva”, diz.

Hoje, o casal vive no Tatuapé e produz conteúdo principalmente para o Instagram, onde o perfil explodiu em seguidores apóa o TikTok. No mês passado recebeu a primeira indicação na Rio Webfest na categoria melhor influencer e melhor microssérie.

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