Líder do PT chama Alcolumbre de ‘inimigo’ do fim da 6×1, e senador diz não tolerar ameaça

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), durante sessão na Casa, em março - Adriano Machado - 4.mar.26/Reuters

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reagiu na terça-feira (7) à fala do líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), que sugeriu torná-lo um inimigo caso ele não coloque em tramitação a PEC (proposta de emenda à Constituição) do fim da escala 6×1.

Uczai afirmou na terça que, se Alcolumbre não enviar a proposta para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) até semana que vem, “nós vamos elegê-lo como inimigo também, inimigo dos trabalhadores”.

Após a declaração do petista, Alcolumbre divulgou nota assinalando que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado”. O senador diz que a pauta é uma prerrogativa do presidente da Casa e que “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”.

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“Quem realmente pretende contribuir para o avanço da PEC respeita o devido processo legislativo. Ameaças e constrangimentos institucionais não aceleram a tramitação; apenas afrontam a independência dos Poderes”, disse Alcolumbre.

O presidente do Senado reclama de forma reservada do que vê como ataques supostamente promovidos pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra ele nas redes sociais para pressioná-lo a colocar a PEC em votação.

Como mostrou a Folha, Alcolumbre avisou a pelo menos dois aliados que não deve votar a medida antes das eleições. A proposta chegou ao Senado no fim de maio, mas não foi sequer enviada para a CCJ. O presidente também não definiu o relator do texto.

O chefe do Senado aguarda, segundo pessoas próximas, por uma conversa com Lula. Os dois não se falaram pessoalmente desde que o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), em abril.

Ao fim do dia, Uczai sustentou as afirmações. “O presidente do Senado pode muito, mas não pode tudo. Deixa a democracia decidir, deixa os senadores decidirem quem é a favor e quem é contra a redução da jornada de trabalho”, afirmou.

O deputado federal reiterou ainda que, se Alcolumbre não enviar o projeto à CCJ até a semana que vem, ele ampliará a mobilização “nas redes e nas ruas”.

O líder do PT também nega que a fala seja uma ameaça e diz que atores públicos devem se posicionar. “Por que querem deixar passar as eleições? Para não sofrer pressão da sociedade? É ele quem deve responder”, finalizou.

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