A PF deflagrou uma operação nesta terça que mira possíveis desvios de recursos públicos por meio de emendas parlamentares e de fraudes em processos licitatórios e contratos no Ceará. Um dos alvos foi o deputado do PSB.
Foram cumpridos mandados de buscas e apreensão no gabinete do parlamentar na Câmara, na residência dele em Brasília e no Ceará.
A operação, denominada de Underhand, teve ao total 15 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adotou cautela sobre o tema. Ao chegar à Câmara nesta terça, ele disse que não tinha conversado com Júnior Mano e que aguardaria o andar das investigações para se posicionar.
Nas palavras de um líder de um partido do centro, a busca em um gabinete da Câmara representa mais um problema na relação com os dois Poderes, já que deputados classificam isso como um desrespeito às prerrogativas parlamentares. Outra liderança de uma sigla da direita criticou a operação e disse que os gabinetes da Câmara deveriam ser invioláveis.
Um líder governista reconhece que o momento da operação é ruim por já haver insatisfação dos parlamentares com o Executivo por causa do decreto que alterou as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
Além disso, afirma que, nesses casos, prevalece o discurso corporativista dos congressistas, o que pode acirrar os ânimos dos parlamentares com os dois Poderes. Apesar dessas críticas, o tema não foi discutido em reunião de líderes na manhã da terça (8).
Essa não é a primeira vez que uma operação da PF desagrada os deputados. Em fevereiro do ano passado, o então presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) chegou a pedir para que os líderes consultassem suas bancadas sobre a viabilidade de matérias que tratassem do respeito às prerrogativas parlamentares como uma reação a operações da PF em gabinetes da Casa.
Naquele momento, os alvos tinham sido Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ).
Desde 2024, acentuaram-se as críticas dos deputados à atuação do Judiciário, sob o argumento de que a corte e seus ministros desrespeitam a autonomia dos Poderes. Neste ano, os parlamentares aprovaram a criação de uma secretaria na Câmara dedicada a defender as prerrogativas e a imunidade dos parlamentares.