Lula diz que ‘não joga dinheiro fora’ e ‘responsabilidade fiscal é compromisso’

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista a jornalista no Palácio do Planalto, em junho - Ricardo Stuckert - 26.jun.2024/Divulgação/Presidência da República

Em meio a preocupações de investidores quanto à capacidade do governo de cortar gastos para conter o aumento da dívida pública, um dos fatores que tem levado à disparada do dólar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na quarta-feira (3), que gasta quando é necessário e que não joga dinheiro fora. O petista disse ainda que responsabilidade fiscal é compromisso do governo.

“Aqui nesse governo a gente aplica dinheiro necessário, gasto com edução e saúde quando é necessário, mas a gente não joga dinheiro fora. Responsabilidade fiscal não é palavra, é compromisso desse governo desde 2003 e a gente manterá ele à risca”, disse Lula, em discurso no lançamento do Plano Safra Agricultura Familiar, no Palácio do Planalto.

Lula vem numa esteira de declarações com críticas à taxa de juros e à atuação do Banco Central.

Nos últimos dias, a cotação do dólar escalou diante da incerteza dos agentes do mercado com a trajetória fiscal do Brasil. A preocupação é com o risco de esse movimento respingar na economia real, encarecendo produtos e levando o BC a precisar aumentar os juros básicos, hoje em 10,50% ao ano, para conter a inflação.

As falas repercutem negativamente no mercado e, por isso, preocupam auxiliares. Eles defendem moderação nas falas do petista para evitar um agravamento ainda maior do quadro econômico.

Pela manhã da quarta-feira (3), no Palácio da Alvorada, o chefe do Executivo se reuniu com Haddad. À tarde, ele encontrou ministros da área econômica para debater medidas de corte de gastos.

A reunião de quarta (3) teve a presença dos integrantes da JEO (Junta de Execução Orçamentária), formada por Haddad, Tebet, Rui Costa (Casa Civil) e Esther Dweck (Gestão e Inovação).

Lula tem feito declarações públicas contra mudanças na política de valorização do salário mínimo (que impacta a Previdência Social) e a desvinculação entre benefícios sociais e o piso nacional. Ele também descartou limitar o crescimento dos mínimos em Saúde e Educação. Esses são justamente alguns dos componentes que mais pressionam o Orçamento.

Após apostar em um ajuste fiscal centrado no aumento de receitas, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) passou a defender também medidas pelo lado das despesas. Mas essa opção ficou em xeque após Lula dizer, na semana passada, que primeiro precisa “saber se precisa efetivamente cortar” gastos.

Integrantes do Ministério da Fazenda ficaram apreensivos com as declarações do chefe do Executivo e preveem desafios para que Haddad e a ministra Simone Tebet convençam o presidente da necessidade dos cortes.

A declaração de Lula na quarta-feira (3) foi dada durante cerimônia de lançamento do Plano Safra de Agricultura Familiar 2024/2025. À tarde, houve evento do Plano Safra voltado aos grandes produtores do agronegócio.

O evento contou com a presença de movimentos sociais, que também fizeram uma feira na Praça dos Três Poderes.

Lula falava sobre a importância de ampliar a produção de alimentos no país, para que não falta produto na mesa do brasileiro e a inflação esteja controlada.

“Se a gente fizer isso, comprar máquina, produzir mais leite, queijo, plantar mais tomate, pepino, chuchu, não vai ter inflação de alimento, gente”, afirmou.

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