Lula minimiza contrato de escritório de Lewandowski com Master e fala em ‘falcatrua’ entre banco e BRB
O presidente Lula (PT) e o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski no anúncio do seu nome para o Ministério da Justiça. - Adriano Machado/Reuters
por Folha de S.Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) minimizou na quinta-feira (5) o contrato entre o escritório de advocacia do hoje ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski com Banco Master.
“O Lewandowski é um dos maiores juristas que este país já produziu. E todo e qualquer bom jurista é contratado por qualquer empresa que esteja em qualquer dificuldade”, disse o presidente. “Não tem problema nenhum, todo mundo trabalha para alguma empresa nesse país. Todo mundo”, completou Lula.
A contratação foi de 2023 a agosto de 2025. Ou seja, em parte do período em que o escritório foi remunerado pelo Master, Lewandowski era ministro. Ele se afastou do escritório durante seu período no Executivo. A estrutura ficou sob responsabilidade de familiares do ex-ministro.
Lula defendeu que as investigações em torno do Banco Master continuem. Ele repetiu que o caso é uma oportunidade para o país descobrir “magnatas” que cometem crimes. Também mencionou aspectos do escândalo financeiro que gostaria de desvendar.
“Vamos a fundo nesse negócio. Queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro, do estado do Amapá, colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Master e o BRB? Quem está envolvido?”, disse o petista em entrevista ao portal Uol.
Ao mencionar Rio de Janeiro e Amapá, Lula se refere a aplicações de fundos de previdência desses e de outros estados e municípios que aplicaram dinheiro no Banco Master. O ex-presidente da Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso na terça-feira (3).
A citação ao BRB se deve ao fato de o banco do governo do Distrito Federal ter tentado comprar o Master. O veto da operação pelo Banco Central é um dos marcos na investigação do escândalo financeiro. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) é adversário político de Lula.
O presidente da República também disse que conversou com seu filho citado nas investigações sobre os desvios em benefícios do INSS, Fábio Luís Lula da Silva –conhecido no mundo político como Lulinha.
A Polícia Federal apura se Fábio Luís foi sócio oculto de Antonio Carlos Camilo Antunes. Conhecido como “Careca do INSS”, Antunes é apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos irregulares em benefícios sociais. Também se tornou uma das figuras mais conhecidas do escândalo.
“Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei o meu filho aqui. Olhei no olho do meu filho e falei: só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se não tiver, se defenda”, disse o presidente da República.