“Lula tem que deixar de falar e começar a fazer algo sobre Venezuela”, diz Guaidó
Juan Guaidó. Foto: EFE/ Rayner Peña
O ex-líder da oposição da Venezuela, Juan Guaidó, criticou no sábado (18) o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista tem sido “muito esquivo” em tomar uma posição contundente em relação ao ditador Nicolás Maduro, ele disse. “Tem que deixar de falar, tem de fazer, já não há desculpas”, afirmou Guaidó em Washington.
Guaidó, que vive em Miami, está na capital americana para participar das solenidades da posse de Donald Trump. O evento deste sábado era o Hispanic Ball, dedicado à população de origem latino-americana e espanhola nos EUA.
Além de Guaidó, estava presente no local o presidente argentino, Javier Milei, que foi homenageado e que, ao que tudo indica, será um dos líderes latino-americanos mais próximos da nova administração dos EUA.
O ex-presidente Jair Bolsonaro planejava comparecer ao Hispanic Ball, mas teve a sua saída impedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Moraes citou um possível risco de fuga e alegou também que a defesa de Bolsonaro não comprovou que tinha de fato recebido um convite. Seu passaporte segue retido devido a investigações que incluem seu suposto envolvimento na trama de golpe de Estado em 2022.
Guaidó foi outrora a principal figura da oposição venezuelana. Crítico do regime de Maduro, proclamou-se presidente da Venezuela quando era líder da Assembleia Nacional, em 2019.
Dezenas de países o reconheceram na época, e Trump apostou nele como uma alternativa à ditadura. Sem sucesso, porém, perdeu fôlego e influência.
No baile, Guaidó demonstrou otimismo quanto ao novo mandato de Trump, que entende como alguém capaz de influenciar uma mudança de regime. Melhores relações entre EUA e Venezuela, sinalizou, beneficiariam não apenas os dois países mas também o restante da América Latina. Foi nesse contexto que ele expressou sua decepção com o governo Lula.
Trump convidou para a sua posse o rival de Maduro nas eleições passadas, Edmundo González. Os EUA e outros países reconhecem o diplomata —que substituiu a líder opositora María Corina Machado de última hora no pleito e hoje está asilado na Espanha— como o legítimo presidente eleito da Venezuela.
Trata-se de uma ação importante, já que ela indica o posicionamento que o republicano deve tomar em relação à ditadura chavista.
Uma outra sinalização sobre o assunto foi feito na mesma semana em que o convite foi feito, quando o futuro chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, disse em uma audiência no Senado que hoje, “infelizmente, a Venezuela não é governada por um governo, mas pelo narcotráfico”.
Ele também criticou na ocasião a autorização dada pelo governo Joe Biden para que a americana Chevron voltasse a operar em Caracas. O retorno de empresas petrolíferas ao país ajudou a aliviar em partes a bancarrota econômica do regime.