Mar Negro virou “depósito de lixo e cemitério de animais” após rompimento de barragem, diz Ucrânia

0

Imagem de satélite mostra trecho onde barragem foi rompida após explosão em Nova Kakhova, no leste a Ucrânia, em 6 de junho de 2023. — Foto: Reuters

Por Maria Knight, da CNN

As enchentes estão diminuindo após o rompimento da barragem de Nova Kakhovka, mas os detritos levados ao longo do rio Dnipro transformam a costa do Mar Negro de Odesa em “um depósito de lixo e um cemitério de animais”, segundo autoridades ucranianas.

“Muitas minas, munições e outros objetos explosivos estão sendo carregados para o mar e jogados na costa”, disse o Ministério do Interior da Ucrânia em seu site neste fim de semana, acrescentando que os guardas de fronteira observaram uma “praga de peixes” na área.

“O rio Dnipro deságua no Mar Negro, trazendo muitos sinais da devastação causada pelos russos”, disse o ministério.

“As consequências do ecocídio são terríveis”, acrescentou.

O colapso da barragem no sul da Ucrânia em 6 de junho é um dos maiores desastres industriais e ecológicos da Europa em décadas. A catástrofe destruiu aldeias inteiras, inundou terras agrícolas, privou dezenas de milhares de pessoas de energia e água potável e causou enormes danos ambientais.

Mas ainda é impossível dizer se Nova Kakhovka rompeu porque foi deliberadamente alvejada como parte da guerra da Rússia na Ucrânia ou se a brecha pode ter sido causada por falha estrutural. Várias autoridades ocidentais culparam Moscou pelo colapso da represa ocupada pelos russos.

Um total de 2.699 pessoas, incluindo 178 crianças, foram evacuadas de assentamentos ameaçados na região de Kherson desde o colapso, disse o chefe ucraniano da administração militar regional, Oleksandr Prokudin, em um post no Telegram no sábado (10).

Nado e pesca proibidos

A natação e a pesca foram proibidas na região e as pessoas estão sendo aconselhadas a beber apenas água engarrafada ou importada, disse Prokudin.

Enquanto isso, tempestades e ventos fortes esperados no domingo significam que “os voluntários não terão permissão para realizar nenhuma operação de resgate”, acrescentou.

“A concentração de substâncias nocivas em amostras de água é dez vezes maior do que a norma permitida”, disse Prokudin.

O oficial disse que a área dos territórios inundados na região de Kherson “diminuiu quase pela metade” e o nível médio da água diminuiu 27 centímetros para 4,45 metros.

No entanto, “32 assentamentos na margem oeste do rio Dnipro continuam inundados e 3.784 prédios residenciais estão submersos”, disse ele.

Prokudin também descreveu a situação na “margem leste temporariamente ocupada” como “crítica”.

“Agora 14 assentamentos estão inundados lá. As autoridades de ocupação (russas) não estão realizando medidas de evacuação”, acrescentou.

Pedido de ajuda internacional

Os avanços ocorreram quando o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu ajuda internacional para resgatar as vítimas do rompimento da barragem em áreas ocupadas pela Rússia na Ucrânia.

“A Rússia não fornece nenhuma ajuda real às pessoas nas áreas inundadas” que estão sob sua ocupação, disse Zelensky em seu discurso noturno no sábado (10).

“No território ocupado, só é possível ajudar as pessoas em algumas áreas — os terroristas russos estão fazendo de tudo para aumentar o número possível de vítimas do desastre. O bombardeio russo continua — mesmo em pontos de evacuação”, disse Zelensky.

O líder ucraniano já acusou as forças russas de atirar em equipes de resgate ucranianas que tentavam chegar a áreas inundadas na região de Kherson que estão sob controle russo.

“Estamos pressionando e incentivando para que as organizações internacionais e o apoio internacional cheguem à parte da região de Kherson onde os ocupantes estão agora”, enfatizou Zelensky em seu discurso de sábado.

O presidente ucraniano disse que “mais de 3.000 pessoas já foram evacuadas nas regiões de Kherson e Mykolaiv” após o colapso da barragem — mas isso foi apenas no “território livre sob nosso controle”.

No sábado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia divulgou um comunicado culpando “ataques metódicos das Forças Armadas da Ucrânia” pelo colapso da barragem.

Ele alegou que “ataques regulares” à Usina Hidrelétrica de Kakhovka pelas forças armadas ucranianas “levaram à destruição de suas estruturas e à descarga descontrolada de água do reservatório de Kakhovka a jusante do rio Dnipro”.

Impacto de longo alcance

O impacto do colapso da barragem foi sentido muito além da região de Kherson.

Além da costa do Mar Negro, na região de Dnipropetrovsk, as comunidades Marhanets, Nikopol, Pokrovsk e Hrushivka ficaram parcialmente sem abastecimento de água, informou o site do Ministério do Inteior Ucrânia neste domingo (11), enquanto “uma seção inteira de uma ferrovia foi destruída perto de Nikopol, segundo a autoridade ferroviária ucraniana.

Em Mykolaiv, as estradas de acesso ao vilarejo de Afanasivka, onde vivem 379 moradores, foram completamente cortadas, informou o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia.

Enquanto isso, durante uma visita à Ucrânia no sábado (10) pelo primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, Zelensky ofereceu a ajuda de seu país no combate aos incêndios florestais que consumiram muitas partes do Canadá.

“É claro que não vamos ficar longe do desastre que o Canadá está enfrentando agora”, disse Zelensky.

“Grandes incêndios florestais, perdas ambientais colossais e ameaças às pessoas… A Ucrânia está pronta para ajudar a extinguir incêndios se o Canadá precisar dessa assistência internacional.”

“Nosso senso ucraniano de relações internacionais está justamente no fato de que devemos sempre cuidar uns dos outros quando o apoio é necessário. E realmente ajuda”, disse Zelensky.

About Author

Deixe um comentário...