María Corina planeja retornar à Venezuela até o fim do ano e pede eleições rápidas

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María Corina Machado e Edmundo González Urrutia

por Reuters

A líder da oposição na Venezuela Maria Corina Machado espera estar de volta ao seu país antes do fim de 2026 e pede aos Estados Unidos que acelerem os planos para eleições.

Em entrevista à Reuters no domingo (19), a vencedora do Prêmio Nobel da Paz disse que “absolutamente” se via de volta à Venezuela em breve, alertando que quanto mais tempo o país demorar para realizar eleições, maior será o risco de agitação civil.

“Acreditamos que, para [administrar] a ansiedade, as expectativas e a urgência do povo venezuelano de forma ordeira e cívica, é muito importante começar a dar passos em direção ao que todo o país exige e demanda, que são eleições livres e justas”, disse.

Os EUA capturaram o ditador Nicolás Maduro em janeiro, levantando esperanças entre alguns de seus opositores de que María Corina, 58, desempenharia um papel central na administração do país.

O presidente americano Donald Trump, em vez disso, tem aceitado Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro, no comando, dizendo que María Corina não tinha o apoio necessário para governar o país no curto prazo.

María Corina deixou a Venezuela em dezembro para receber o Prêmio Nobel, depois de viver escondida por mais de um ano após as eleições contestadas de 2024.

Maduro foi declarado vencedor naquelas eleições contra o candidato da oposição, Edmundo González, levando a protestos em todo o país. María Corina, engenheira industrial de formação, havia sido impedida de concorrer a cargos públicos.

Delcy desde então recebeu elogios do governo americano por seu desempenho, mas María Corina rejeitou isso como um sinal de que Trump a queria no cargo a longo prazo.

“O que eu ouvi foi o presidente Trump elogiando como Delcy segue suas instruções”, disse. “Eles [o regime sob Delcy] nunca estiveram tão fracos como estão agora. Eles estão começando a perceber que as coisas mudaram e este é um momento totalmente diferente.”

María Corina disse que, com a captura de Maduro, os venezuelanos estavam esperando grandes mudanças no governo e na economia, e essas expectativas precisam ser atendidas rapidamente para evitar o risco de “anarquia”.

“É como uma enorme represa que está [acumulando] cada vez mais energia, frustração, coragem e expectativas”, disse.

“Meu desafio, nosso desafio, é canalizar essas energias de forma pacífica, cívica, com um objetivo, que é um processo eleitoral. Se as pessoas sentirem que esse não é o propósito de tudo o que está acontecendo, essas forças podem sair do controle.”

A opositora disse que o cadastro eleitoral precisa ser atualizado antes das eleições para incluir aqueles que foram impedidos de votar anteriormente, e novos membros do conselho eleitoral precisam ser selecionados, algo que poderia ser alcançado “em oito ou nove meses”.

Ela evitou dizer que Trump, a quem presenteou com sua medalha do Nobel, não estava agindo rápido o suficiente.

“Não estaríamos onde estamos agora, avançando, se não fosse pelo governo americano e pela decisão do presidente Trump de levar Nicolás Maduro à justiça. Mas certamente eu entendo a urgência e as demandas do meu povo e acho que devemos avançar no processo democrático e eleitoral.”

Durante sua viagem a Madri, María Corina realizou um comício no sábado para venezuelanos exilados, atraindo milhares de pessoas a uma praça na capital espanhola para ouvi-la dizer que em breve poderiam voltar para casa.

Cerca de um quarto da população da Venezuela se espalhou pela América Latina, Caribe, Espanha e EUA desde 2014, fugindo de uma economia dependente do petróleo paralisada pela má gestão.

Ela se reuniu com líderes da oposição de direita da Espanha, mas recusou-se a se encontrar com o primeiro-ministro Pedro Sánchez, dizendo que o governo espanhol não fez o suficiente para desafiar o regime de Maduro.

“Esperávamos que a Espanha fosse talvez a principal voz em destacar a situação horrível do nosso país, os crimes contra a humanidade que foram cometidos, o terrorismo de Estado que foi implantado. Infelizmente, isso não aconteceu.”

“Felizmente há outras vozes. Me encontrei com algumas delas esta semana e certamente sentimos que temos na Europa um aliado dos valores ocidentais e para reconstruir na Venezuela instituições que durarão por séculos.”

Desde que deixou a Venezuela, Maria Corína tem ficado principalmente nos EUA e falou de sua alegria em poder se reunir com seus três filhos adultos.

“Como mãe, sempre me senti muito culpada em relação às consequências que minha família, especialmente meus filhos, sofreram por causa das minhas decisões”, disse.

“Eu digo a mim mesma todos os dias que faço isso por eles, por cada jovem venezuelano e por aqueles que ainda não nasceram, para que tenham um país do qual se orgulhem e possam viver como cidadãos livres.”

Ela pediu a seus filhos que morassem no exterior por razões de segurança depois de se tornar parlamentar.

A opositora também tem aproveitado para se atualizar sobre os desenvolvimentos tecnológicos dos últimos 20 anos que não haviam chegado à Venezuela, dizendo que descobrir os táxis do Uber foi uma revelação particular.

“Por outro lado, estou acostumada ao meu país. Sinto que deveria estar de volta com meu povo e estou contando os dias.”

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