No zap, vizinhos de Bolsonaro condenam “confusão” feita por apoiadores

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vizinhos de Bolsonaro condenam “confusão” feita por apoiadores

Apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) realizaram, na noite de terça-feira (5/8), um buzinaço seguido de uma carreata contra o decreto de prisão domiciliar do ex-presidente. O ato partiu da Torre de TV, em Brasília, percorreu as principais avenidas da capital federal e terminou no condomínio onde o ex-presidente reside, no bairro Jardim Botânico. Esse foi o segundo dia seguido de manifestações de apoiadores de Bolsonaro.

O protesto dividiu opiniões entre os vizinhos do ex-presidente, que comentaram em um grupo de WhatsApp do Condomínio Solar de Brasília sobre os bloqueios realizados pela Polícia Militar e pelos próprios apoiadores na entrada do local.

Esta reportagem teve acesso às mensagens trocadas entre os moradores. As principais preocupações giram em torno da possibilidade dos bolsonaristas realizarem acampamentos na frente do condomínio e a dificuldade de “ir e vir” de quem mora região.

O grupo de WhatsApp, criado originalmente para a troca de informações cotidianas, também foi tomado por discussões políticas e troca de farpas entre vizinhos.

“Tá uma loucura aqui fora. Quero chegar em casa. Buzinando, polícia, corneta. Um inferno”, disse uma das moradoras. “Eu só quero chegar em casa, mas o trânsito não anda”, lamentou.

Já perto da meia-noite, uma vizinha reclamou da situação: “Um absurdo essa hora e essa confusão. Pior ver o tanto de polícia e não dispersam”.

“Espero sinceramente que a administração tome providências para garantir a entrada e saída dos condôminos, livremente e em segurança. Nada justifica bloquear entradas, aglomerar nas portarias. Quem quiser se manifestar que procure um lugar que não impeça o direito de ir e vir do moradores”, cobrou um homem.

Em tom de alerta, um dos moradores chega a afirmar que, caso os apoiadores de Bolsonaro armem acampamentos, eles estariam “ferrados”. Uma vizinha respondeu afirmando que, se esse fosse o caso, seria preciso denunciar os participantes para “retirar quem estiver atrapalhando o direito de ir e vir”.

“Se a segurança ficar comprometida, já já levam para a Papuda. É um erro virem fazer protesto aqui”, disse outra pessoa.

Batalha ideológica

Apesar de a maioria demonstrar preocupação com a segurança, o grupo acabou se tornando um campo de batalha ideológica. Um morador criticou o ex-presidente: “Podia levar de uma vez para a Papuda. Ele vai para lá mesmo, não é? Ao menos dá logo sossego para a gente e para mais 200 milhões”. Logo em seguida, foi rebatido por outra vizinha: “Que Deus te retribua em dobro”.

Em meio à tensão, ainda houve espaço para ironia – ou provocação. “Bora fazer um churrasco de confraternização?”, perguntou uma vizinha. A resposta veio em seguida: “Só entre os seus comparsas que se alegram com a desgraça do outro”.

Prisão domiciliar de Bolsonaro

A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro foi decretada na segunda-feira (4/8), após a divulgação de um vídeo gravado por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas redes sociais. Na gravação, feita durante manifestação no Rio de Janeiro, o ex-presidente aparece discursando ao telefone. O vídeo foi apagado posteriormente.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), entendeu que Bolsonaro descumpriu as medidas cautelares impostas ao se manifestar por meio de terceiros – o que motivou a decisão judicial.

Manifestações em apoio ao ex-presidente foram registradas em diversas capitais do país durante o final de semana, como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Em Copacabana, Bolsonaro agradeceu o apoio: “Obrigado a todos. É pela nossa liberdade. Pelo nosso Brasil. Sempre estaremos juntos”.

Na quarta-feira (6/8), Moraes autorizou visitas de filhos, netos, netas e cunhadas ao ex-presidente. As visitas não precisarão ser previamente comunicadas, mas permanece a proibição de uso de celular ou registros em vídeo.

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