ONG de Israel acusa país de maus-tratos de ativistas de flotilha presos; governo nega

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O ativista brasileiro Thiago Ávila, preso por Israel após interceptação de flotilha com destino à Faixa de Gaza, durante audiência em Ashkelon - Amir Cohen - 3.mai.26/Reuters

por AFP

A ONG israelense Adalah, afirmou na segunda-feira (4) que o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek, que integraram uma flotilha para Gaza, sofreram maus-tratos de forças de segurança israelenses, após a organização visitá-los em uma prisão de Israel.

A ONG, uma organização de direitos humanos e serviços jurídicos para a minoria árabe em Israel, afirmou que os dois foram submetidos a “interrogatórios de até oito horas”, que foram instalados em celas permanentemente iluminadas e obrigados a ir de um lugar para outro com os olhos vendados, inclusive durante visitas médicas.

O governo israelense nega as acusações. “Ao contrário das acusações falsas e infundadas, preparadas com antecedência, em nenhum momento Saif Abu Keshek e Tiago Ávila foram submetidos a torturas”, afirmou à AFP o porta-voz da chancelaria israelense, Oren Marmorstein, que acusou os detidos de oporem “resistência física e violenta” as forças de segurança. A própria organização da flotilha havia acusado Israel de ter torturado os dois ativistas. “Todas as medidas tomadas se atêm à lei”, disse ele.

A Justiça israelense aprovou, no domingo (3), a prorrogação por dois dias da detenção dos dois ativistas. Ambos estão em greve de fome há seis dias, embora bebam água, segundo a ONG. “Estamos esperando para saber se o Estado pedirá para prorrogar esta detenção”, destacou a organização.

A flotilha com dezenas de barcos partiu de França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e levar suprimentos ao território palestino. As forças israelenses interceptaram as embarcações em águas internacionais ao longo da costa da Grécia na madrugada de quinta-feira (30).

Saif Abu Keshek e Thiago Ávila foram detidos junto com outros 175 ativistas, de múltiplas nacionalidades, que foram libertados na Grécia após um acordo entre esse país e Israel. Os dois, no entanto, foram levados a Israel.

Tel Aviv os acusa de terem vínculos com o grupo terrorista Hamas, que ainda governa partes de Gaza, mas a Espanha nega que Saif Abu Keshek tenha laços com o grupo.

A Procuradoria de Roma abriu uma investigação por sequestro dos ativistas após a apresentação de três denúncias posteriores à interceptação da flotilha por parte das forças israelenses, segundo a imprensa italiana.

O crime de sequestro Ávila e Abu Keshek, que no momento da prisão em águas internacionais estavam em uma embarcação de bandeira italiana.

A Procuradoria de Roma abriu uma investigação similar em outubro, após tentativa anterior da mesma organização de enviar outra flotilha até Gaza.

O Itamaraty divulgou uma nota conjunta com o governo espanhol, antes da extensão da prisão, condenando o que classificou de “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel” e exigindo o retorno imediato de Ávila e de Abu Keshek com garantias de segurança.

“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao direito internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, afirma a nota.

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