Opinião – Com o fim da terceira via, vem aí o feirão dos candidatos em 2022
© Felipe Rau/Estadão. Arthur Virgílio, Eduardo Leite e João Doria participam de debate promovido pelo ‘Estadão’
Por Ricardo Noblat
A terceira via morrerá amanhã, ganhe quem ganhar as prévias que indicarão o candidato do PSDB a presidente da República na eleição do ano que vem. No lugar dela, será oferecida outra fórmula ainda a ser batizada que contemplará um número maior de candidatos. Procura-se um nome atraente para ela.
A expressão “terceira via” foi um achado de publicitários a serviço do PSDB. A ideia era limitar a escolha dos eleitores a três nomes – Bolsonaro, Lula e o candidato nem um nem outro. Uma vez que João Doria e Eduardo Leite não se beneficiaram disso até aqui, Lula cresce ou se estabiliza e Bolsonaro está em queda…
Então, a terceira via cederá vez a outro achado que sugira aos eleitores uma oferta maior de candidatos na esperança de que mais adiante um deles ou mais de um se destaquem como alternativas a Lula e Bolsonaro No momento, e até onde a vista alcança, o páreo presidencial continuará restrito a Lula e Bolsonaro.
Só não se sabe até quando. Como não se sabe se o feirão dos candidatos será capaz de parir um que ameace os favoritos. Mas, afinal, é o que se trama no eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte-Lisboa. Sim, Lisboa, onde cabeças coroadas aflitas com o Brasil se reúnem no hotel Ritz e em restaurantes exclusivos e caros.
O que enterrará a terceira via foi a falta de fôlego de Doria e Leite, há meses expostos ao escrutínio público, mas lanterninhas nas pesquisas de intenção de voto. Não conseguiram empolgar nem mesmo o PSDB. Se vencer as prévias, Doria não unirá o partido. Se Leite vencer, unirá para desistir depois.
Sérgio Moro (PODEMOS) entrou bem no páreo. Rodrigo Pacheco (PSD), ainda não largou. Ciro Gomes (PDT) está dentro, mas poucos apostam nele. Henrique Mandetta (DEM) está mais para vice ou senador. Simone Tebet (MDB), idem. O resto é fichinha. Fazer o quê? É o que temos. Não há nenhum trunfo escondido.
A próxima campanha será no melhor estilo Quentin Tarantino, puro sangue. A maioria dos eleitores gosta de ver sangue aos borbotões, mas quando ouvidos em pesquisas dizem o contrário. Sem dúvida, correrá mais sangue se a eleição resumir-se a Lula e a Bolsonaro. A não ser que acabe antes se um um deles disparar.
Difícil que Bolsonaro dispare. Lula teria como, com Geraldo Alckmin de vice. A Faria Lima respiraria aliviada. O touro dourado ficaria em paz. Mas se isso acontecer não será tão cedo, nem fácil. Por enquanto, cada um seguirá o seu destino – Alckmin, como candidato a governador de São Paulo pelo PSD de Kassab.