Oposição tenta ofuscar escândalo do Master com redução da maioridade penal; governo evita debate

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Relator da PEC que reduz maioridade penal lendo relatório na CCJ da Câmara — Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos entrou novamente no radar da oposição a menos de cinco meses das eleições presidenciais. O grupo acredita que o texto pode render popularidade ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida eleitoral.

Apesar de ser historicamente contra a medida, deputados do PT optaram por evitar o debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados por receio do impacto negativo que podem ter por criticar a proposta.

🗓️ A PEC estava na pauta da CCJ de terça-feira (19), mas não foi votada em razão do início da sessão do plenário.

🔎 Conforme o regimento, quando os parlamentares começam a votar projetos no plenário, as comissões não podem deliberar sobre nenhuma proposta.

Mais cedo, parte do PT se dividia sobre se posicionar contra a PEC ou silenciar. O entendimento de governistas é que a proposta tem apoio de boa parte da população e foi resgatada para tentar diminuir a pauta do Master e o impacto sobre Flávio Bolsonaro.

“Essa pauta sempre surge em véspera de eleição. Agora, parece ser agenda pela qual [deputados da oposição] estão tentando reagir e manter base social”, disse um parlamentar do PT.

Outro interlocutor do partido diz que participar do debate seria “dar motivo para a extrema-direita lacrar na rede”.

A avaliação dos parlamentares é que a PEC terá maioria ampla para passar na CCJ. Mas aliados do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), dizem que, a princípio, a ideia é não votar o texto antes das eleições.

“Esse é o tipo de matéria que infla radicalismos”, afirmou um interlocutor de Motta.

Deputados do PT também avaliam que dificilmente a PEC terá andamento neste semestre após a CCJ, acreditam que Motta não deve criar uma comissão especial para analisar a proposta, a etapa seguinte na tramitação do texto.

Além do calendário eleitoral, que diminui o trabalho legislativo, com o final de maio chegam as festas juninas e a Copa do Mundo – o que deve esvaziar os corredores do Congresso Nacional a partir de junho.

Os deputados Mendonça Filho (PL-PE) e Aluísio Mendes (Republicanos-MA), dizem que foi feito um acordo com Motta para que seja repetida a configuração da PEC da Segurança Pública: Mendonça seria relator na comissão da PEC da Maioridade Penal e Mendes, presidente.

O acordo teria sido firmado no início do ano para que o tema fosse retirado da PEC da Segurança Pública.

“Não vejo motivos para ele [Motta] não instalar [a comissão] neste semestre”, disse Mendonça Filho.

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