Presidente da Câmara de SP não vê perseguição contra padre Júlio Lancelotti em proposta de CPI: ‘Investigação como outra qualquer’
O padre Júlio Lancelotti em sua paróquia, na Igreja de São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca. Foto de janeiro de 2020 — Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo/Arquivo
Por Isabela Leite
O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Milton Leite (União Brasil-SP), disse não ver perseguição na proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar ONGs que fazem trabalho social na região da Cracolândia, especialmente o Padre Júlio Lancelotti.
Milton Leite afirmou que vai aguardar o retorno do recesso na Câmara em fevereiro para se reunir com o Colégio de Líderes, quando será debatido se haverá o prosseguimento da instalação da comissão. Segundo o presidente da Casa, do que tomou conhecimento até o momento, “não há viés político” na proposta do vereador Rubinho Nunes (União Brasil-SP).
“Se há fatos, não importa quem seja investigado. A investigação é como outra qualquer”, diz Milton Leite.
À GloboNews, o vereador Rubinho Nunes classificou como “máfia da miséria” o trabalho feito por instituições na região da Cracolândia e também negou viés político. Segundo ele, a CPI visa investigar todas as pessoas físicas ou jurídicas que atuem na região central de São Paulo e que, “por mais que o [padre] Júlio não atue formalmente no quadro de ONGs, há indícios de sua ligação. Isso também pode e será averiguado”.
O parlamentar garantiu que já obteve 25 assinaturas já no protocolo para a instalação da CPI, quando eram necessárias apenas 19, e que já há sinalizações favoráveis para o mínimo de 28 assinaturas, com exceção do PT e PSOL.
Vereadores de oposição ouvidos pelo site g1 também negaram a existência de algum acordo para que o pedido do vereador avance na Casa.
“O Rubinho Nunes é um fanfarrão. Apesar de bom parlamentar, está jogando para a plateia dele e criando um factoide contra uma pessoa honrada e séria como o padre Júlio. Não existe acordo algum para que essa CPI seja criada. O PT é contra e vai obstruir e fazer o que for pra barrar essa ideia equivocada. É uma perseguição injustificada, com objetivo de ganhar votos extremistas na eleição de outubro em cima de uma pessoa que dedica a vida a ajudar os famintos”, diz o líder do PT na Câmara, vereador Senival Moura.