Presidente eleita do México já expressou admiração por Lula, e diplomacia descarta distanciamento pós-AMLO

0
image (15)

Claudia Sheinbaum

Integrantes da diplomacia brasileira rejeitam a possibilidade de haver um distanciamento na relação entre os presidentes de Brasil e México após a vitória de Claudia Sheinbaum, escolhida pela população mexicana no domingo (2) como sucessora de Andrés Manuel López Obrador, conhecido como AMLO.

Respeitada por sua trajetória acadêmica, a presidente eleita apresenta um estilo sóbrio que contrasta com o perfil carismático de seu padrinho político —que, por sua vez, seria mais próximo do de Lula (PT). Durante a campanha eleitoral, Sheinbaum chegou a ser apelidada de “dama de gelo” por opositores.

A futura mandatária, por outro lado, já teria demonstrado sua admiração pelo petista em mais de uma ocasião em que esteve reunida com diplomatas brasileiros, citando o presidente de forma afetuosa e carinhosa, segundo relatos.

Além disso, o fato de ser herdeira política de López Obrador e de ter reiterado em diferentes oportunidades que dará continuidade ao projeto do padrinho, encampando o combate à fome e à pobreza, garantiriam a afinidade entre Sheinbaum e Lula.

A relação entre Brasil e México foi intensificada no terceiro mandato do petista, tanto por meio de conversas entre o presidente e AMLO quanto por meio de tratativas entre as chancelarias dos dois países.

A expectativa é que, sob a nova Presidência, a ampliação de acordos comerciais seja uma das principais pautas da relação bilateral.

O México ocupa o quinto lugar na lista de países que mais receberam exportações brasileiras em 2023, totalizando US$ 8,5 bilhões na balança comercial. Já no ranking de importações para o Brasil ele figura em oitavo lugar, acumulando US$ 5,5 bilhões no mesmo período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Estima-se que, atualmente, cerca de 600 empresas brasileiras operem no México. Suas atuações são diversificadas, abrangendo desde o setor automotivo a siderúrgico, químico, cosmético, farmacêutico e agroalimentar. No Brasil, iniciativas do empresariado mexicano também se fazem presentes.

A cultura é outra frente de atuação que vem sendo explorada pela diplomacia brasileira para estreitar as relações entre os dois países e promover uma integração latino-americana. Nas palavras de um diplomata ouvido pela coluna, é por meio dela que as pessoas se entendem.

Em outubro, mês em que AMLO deixará o cargo e dará lugar à presidente eleita, o Brasil será o país convidado do Festival Cervantino, na cidade de Guanajuato, considerado o maior evento dedicado às artes cênicas da América Latina.

A representação brasileira também tem se dedicado a traduzir obras nacionais para o espanhol, e um acordo de cooperação acadêmica será fechado nos próximos dias com a Unam (Universidade Nacional Autônoma do México), a maior instituição de ensino do México.

Lula e AMLO não chegaram a se encontrar pessoalmente desde que o brasileiro assumiu seu terceiro mandato, mas uma viagem oficial ao país está sendo organizada e deve ocorrer ainda neste ano.

Após a confirmação da vitória de Sheinbaum, ela e o presidente brasileiro se falaram por telefone. De acordo com pessoas que tomaram conhecimento da conversa, o diálogo foi ameno e marcado por demonstrações de consideração e respeito mútuo.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...