Prisão de Milton Ribeiro: delegado cita interferência, e PF investiga

Milton Ribeiro. Foto: Vinicius Schmidt/Metrópoles

Por Tácio Lorran

A Polícia Federal (PF) vai investigar suposta interferência sobre a execução da Operação Acesso Pago, que prendeu nessa quarta-feira (22/6) o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e outros acusados de integrarem esquema de corrupção no MEC.

“Considerando boatos de possível interferência na execução da Operação Acesso Pago e objetivando garantir a autonomia e a independência funcional do Delegado de Polícia Federal, conforme garante a Lei nº 12.830/2013, informamos que foi determinada a instauração de procedimento apuratório para verificar a eventual ocorrência de interferência, buscando o total esclarecimento dos fatos”, informou a corporação, em nota divulgada na tarde desta quinta-feira (23/6).

A informação foi dada pela PF em nota curta, sem explicar a que suposta interferência se refere.

Pouco depois da divulgação da nota em tom críptico da PF, o jornal Folha de S. Paulo revelou, contudo, que o delegado que conduz as investigações, Bruno Calandrini, enviou uma mensagem a colegas em que a investigação foi “prejudicada” em razão de tratamento diferenciado dado pela polícia ao ex-ministro de Jair Bolsonaro.

Calandrini afirmou não ter “autonomia investigativa para conduzir o inquérito deste caso com independência e segurança institucional”.

“O deslocamento de Milton para a carceragem da PF em SP é demonstração de interferência na condução da investigação, por isso, afirmo não ter autonomia investigativa e administrativa para conduzir o inquérito policial deste caso com independência e segurança institucional”, diz trecho da mensagem, obtida pelo diário.

A prisão preventiva de Milton Ribeiro acabou derrubada pelo desembargador Ney Bello Filho, do TRF-1, nesta quinta. A falta de acesso das defesas dos investigados aos fundamentos da prisão preventiva foi usada pelo desembargador como argumento para conceder liberdade a Ribeiro.

Investigação

No mandado de prisão, o juiz Renato Borelli cita quatro crimes: corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

O ex-ministro é investigado por supostamente participar de um esquema de corrupção envolvendo pastores e distribuição de verbas no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) do MEC.

Os líderes religiosos negociavam com prefeitos a liberação de recursos federais – mesmo sem ter cargo no governo. A PF também cumpriu mandados em endereços dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos. Eles são ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e apontados como lobistas que atuavam no MEC, quando a pasta era comandada por Ribeiro.

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