Reino Unido envia destróier ao Oriente Médio e diz se preparar para missão em Hormuz

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Membros da tripulação embarcam no HMS Dragon em Portsmouth, no Reino Unido - Carlos Jasso - 4.mar.2026/Reuters

por Reuters e AFP

O Reino Unido informou no sábado (9) que vai deslocar para o Oriente Médio um destróier, o HMS Dragon, como parte de preparativos para uma missão que visa proteger o transporte marítimo no estreito de Hormuz.

A mobilização ocorre após a decisão da França de deslocar seu grupo de ataque de porta-aviões para o sul do Mar Vermelho. A medida faz parte de uma ação coordenada entre os dois países em um plano para restabelecer a confiança na rota comercial.

A segurança do estreito de Hormuz é um dos pontos-chave do conflito iniciado em 28 de fevereiro com os bombardeios de EUA e Israel ao Irã, em parte interrompidos na trégua que entrou em vigor em 8 de abril.

A quase obstrução dessa via, pela qual transitavam antes do conflito 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos em nível mundial, transformou-se em uma dor de cabeça global, causando problemas de abastecimento de combustível, dificuldades para companhias aéreas e inflação.

O Irã pretende cobrar taxas pela passagem de embarcações pelo estreito de Hormuz, medida à qual os EUA se opõem de maneira firme sob o argumento da defesa da liberdade de navegação.

A república islâmica bombardeou embarcações na região em represália pela ofensiva israelense-americana. Washington, por sua vez, ataca alvos do Irã e também aplica, desde 13 de abril, um bloqueio naval aos portos do país persa para impedir a exportação de petróleo a partir deles.

França e Reino Unido articulam uma proposta para viabilizar uma passagem segura pelo estreito assim que houver estabilização da situação na região. O plano dependeria de coordenação com o Irã, e cerca de 12 países já manifestaram interesse em participar da iniciativa.

A capacidade do Reino Unido de integrar uma eventual missão será limitada pelas restrições enfrentadas pela Marinha Real, atualmente sobrecarregada e muito menor do que em décadas anteriores.

Atualmente, a Marinha britânica conta com 38 mil militares e opera dois porta-aviões e uma frota de 13 destróieres e fragatas. Em 1991, a força naval tinha cerca de 62 mil integrantes, três porta-aviões e aproximadamente 50 navios desse tipo.

Já o efetivo do Exército britânico é atualmente de 74 mil militares em tempo integral, uma redução em relação aos 148 mil registrados em 1991.

A frota menor é resultado de décadas de cortes no financiamento do setor que ocorre desde o início dos anos 1990, quando cerca de 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto) britânico era destinado às Forças Armadas, em comparação com os 2,3% que foram gastos em 2024.

Até dezembro de 2025, o Reino Unido mantinha de forma contínua um navio de guerra no Oriente Médio. A presença foi interrompida quando o HMS Lancaster deixou de operar no Bahrein, poucas semanas antes do início da guerra com o Irã.

E nos últimos anos, as fragatas mais antigas da Marinha britânica tiveram de ser retiradas de serviço antes da entrada em operação de seus navios substitutos.

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