Rússia aposta em incentivo à gravidez de jovens para apaziguar crise de natalidade

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O presidente russo, Vladimir Putin - Sputnik/Vyacheslav Prokofyev - 2.dez.24/via Reuters

Um bebê pode valer o equivalente a dezenas de milhares de reais na Rússia. O governo de Vladimir Putin se dispôs, neste ano, a desembolsar 670 mil rublos (R$ 47,8 mil) para novas mães. A determinação ampliou uma política de 2007, que pagava mulheres pela gestação de um segundo filho. Hoje, quem tem uma segunda criança pode levar quase 900 mil rublos (R$ 64,3 mil).

Agora, governos locais dobram a aposta: em Oriol, estudantes —inclusive menores de idade— que tiverem filhos podem receber 100 mil rublos (R$ 7.100). A região de Kemerovo, na Sibéria, também aderiu à medida. Existem ainda iniciativas direcionadas às universitárias —em cerca de 40 regiões, elas também recebem por volta de 100 mil rublos por gestação.

Desde o início de 2025, pelo menos 27 regiões russas introduziram pagamentos únicos para estudantes universitárias grávidas e até mesmo jovens em idade escolar. A ideia por trás dessas medidas é reverter a queda das taxas de fertilidade no país, que em abril chegaram ao nível mais baixo dos últimos 200 anos, segundo o jornal The Moscow Times.

De acordo com Giovana Branco, doutoranda em ciência política na USP e especialista em Rússia, o país sofre com a redução da força de trabalho, como outros vizinhos desenvolvidos, mas tem desafios específicos devido à baixa densidade populacional e ao pouco investimento para atrair imigrantes.

“Em um país com grande histórico de participação militar em conflitos, a Rússia necessita de uma massa de reserva militar constante para garantir a segurança nacional, ponto que também demonstra a centralidade da natalidade para os governos russos daqui em diante”, afirma Branco.

O demógrafo Sergei Zakharov, da HSE University, em Moscou, conta que a Rússia passou por duas grandes transições de fertilidade. A primeira, no final do século 19, quando as famílias deixaram de ter de cinco a sete filhos para ter dois. A outra transição, depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi a queda para um ou nenhum filho por casal.

As taxas de mortalidade superam as de natalidade desde 2016. Antes disso, o país enfrentou outra crise do tipo de 1992 a 2012, período marcado pela instabilidade política e econômica que veio com o fim da União Soviética.

De 1990 a 1999, os nascimentos caíram de 2 milhões ao ano para 1,2 milhão. Os anos 2000 foram marcados pelas políticas de incentivo à maternidade, incluindo pagamento para mulheres terem o segundo filho.

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