Seleção brasileira, enfim, inicia era pós-Neymar
por Folha de S.Paulo
“Tentei. Agora, acabou”, afirmou Neymar, no domingo (5), ainda no gramado do MetLife Stadium, após a derrota por 2 a 1 do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo. “Comecei aqui, fechei aqui”, disse, lembrando que sua caminhada em verde e amarelo teve início na própria arena de Nova Jersey, em 2010, com uma vitória por 2 a 0 em amistoso contra os Estados Unidos.

De lá para cá, o paulista de Mogi das Cruzes se tornou a cara do time nacional. Foram 16 anos de muitas bolas na rede, algumas glórias e uma porção de frustrações. Entre o primeiro e o 80º gol, conquistou um título, o da Copa das Confederações de 2013, além de ter ganhado a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016, como reforço da equipe sub-23.
Agora, a seleção inicia uma nova era. Despede-se o craque de 34 anos, cujas condições físicas, frágeis, não permitem cogitar sua presença no Mundial de 2030. E o técnico Carlo Ancelotti tem a chance, enfim, de construir um grupo sem o espectro do veterano.
O italiano, a bem da verdade, já poderia ter feito essa escolha para 2026. Mas ele se recusou a fechar a porta ao camisa 10, aceitou a pressão por sua convocação e o colocou em campo na eliminação. O jogador marcou um inútil gol de pênalti no último lance da derrota, provocou o goleiro classificado às quartas de final e partiu.
“Agora, temos que administrar a tristeza e começar a pensar no que pode ser o futuro desta seleção”, afirmou Ancelotti. Ele citou “um grupo bastante sólido de jovens”, “veteranos que podem continuar” e “novos jogadores que podem entrar”.
Há necessidade de renovação em praticamente todos os setores.
Os goleiros de 2026 foram os mesmos de 2022: Alisson, 33, Ederson, 32, e Weverton, 38. A linha defensiva titular tinha um lateral direito de 34 anos, Danilo, um beque central de 32, Marquinhos, e um lateral esquerdo de 32, Douglas Santos. No meio-campo, o volante Casemiro, 34, fez sua despedida.
Após a queda nos Estados Unidos, o treinador preferiu não entrar em detalhes sobre seus planos para 2030, mas reconheceu a necessidade de buscar meio-campistas. Sua lista final para a Copa tinha cinco volantes e Lucas Paquetá, que não é um típico armador.
“Temos que pensar. É bastante evidente que no meio-campo é preciso ter jogadores de nível, jovens. Temos jovens no futebol brasileiro que podem estar na seleção no futuro”, declarou o comandante. “O que vamos fazer é continuar trabalhando para esta seleção. Vamos tentar melhorar e buscar novas ideias.”
Uma ideia a ser adotada não é exatamente nova: apostar no protagonismo de Vinicius Junior. O atacante de 25 anos fez um bom Mundial e poderia ainda estar na disputa se Endrick tivesse aproveitado seu passe preciso quando o duelo com a Noruega ainda estava empatado.
O fluminense de São Gonçalo cresceu na seleção sob comando de Ancelotti e, sem a sombra de Neymar, deverá assumir a camisa 10. O técnico joga as suas fichas em uma parceria dele com Estêvão, 19, que só não foi aos Estados Unidos por causa de uma lesão grave na coxa direita.
Também está nos planos o atacante Rodrygo, 25, outro que perdeu a Copa por lesão. E alguns dos jovens que estiveram no torneio certamente continuarão a ser chamados, como Rayan e Endrick, ambos de 19 anos.
A amostra inicial virá em setembro, quando ocorrerão os primeiros amistosos do ciclo rumo ao próximo Mundial. O Brasil jogará duas vezes fora de casa contra a Austrália, nos dias 25 e 29, em Townsville e em Brisbane. Como essa “data Fifa”, reservada para duelos internacionais, vai até 6 de outubro, a expectativa é que seja agendada mais uma partida, na Ásia.
Será o início de uma trajetória que, sonham os brasileiros, terá sua conclusão em Madri ou em Barcelona. Nos festejos do centenário da Copa, a edição de 2030 terá múltiplas sedes, com alguns jogos da primeira fase na América do Sul –onde o torneio começou– e o restante dividido entre Marrocos, Portugal e Espanha. A decisão deverá ser realizada em território espanhol.



