Sóstenes decide partir para a guerra com STF e cita contrato de mulher de Moraes em entrevista
Sóstenes Cavalcante é líder do PL na Câmara - Marina Ramos/Câmara dos Deputados
por Folha de S.Paulo
O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL) decidiu partir para a guerra total contra o governo Lula e o STF (Supremo Tribunal Federal), em reação à busca e apreensão sofrida na sexta-feira (19).
Como revelado pela coluna, Sóstenes citou, em entrevista coletiva, o contrato milionário do escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões.
“Fico impressionado como a Polícia Federal não quer investigar a esposa de um ministro do Supremo que tem contrato com banqueiro de R$ 129 milhões. Isso a PF não quer investigar. Será por quê? Porque é esposa do ministro Alexandre de Moraes?”, indagou ele.
Ele também disse que as investigações seriam uma “cortina de fumaça” para desviar o foco das operações recentes contra Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, e o vice-líder do governo no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA).
“O vice-líder do Senado deve explicação ao povo brasileiro. Lula diz que pode investigar o filho, mas fica blindando a convocação na CPMI de um filho suspeito de receber R$ 300 mil de mesada por mês. Ninguém deles coloca a cara para vir dar explicações à opinião pública como eu estou fazendo”, afirmou.
Ele também disse que a operação é uma forma de “perseguir quem é da oposição”.
A reação ocorre após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra Sóstenes e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), em operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF. Em um endereço ligado a Sóstenes, a PF apreendeu cerca de R$ 430 mil em dinheiro vivo.
A Operação Galho Fraco investiga suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar. Segundo a PF, deputados, assessores e particulares teriam atuado de forma coordenada para desviar e ocultar verbas públicas, por meio da contratação de uma empresa de locação de veículos que continuou recebendo pagamentos mesmo após ter sido dissolvida de forma irregular.
A PGR apontou indícios de conluio entre assessores de Sóstenes e Jordy para dar aparência de legalidade às operações. As apurações são desdobramento de uma investigação iniciada em 2024 e envolvem suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O nome de Weverton Rocha, citado por Sóstenes como exemplo, aparece em outra investigação da PF, a Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias em descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões do INSS. O senador, vice-líder do governo Lula, teve a casa em Brasília alvo de buscas, mas negou irregularidades e afirmou confiar nas instituições.
Já o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master veio à tona após documentos serem encontrados pela PF. O acordo previa o pagamento de R$ 129 milhões em honorários ao longo de 36 meses, valor que gerou questionamentos no mercado jurídico. Procurados à época, o escritório, o banco e o ministro Alexandre de Moraes não se manifestaram.
Aliados avaliam que a entrevista coletiva marcará uma escalada do confronto de Sóstenes com o STF, em meio ao avanço das investigações e ao endurecimento do discurso do PL contra a Corte.