“Tivemos problema grave de comunicação no governo”, diz Haddad

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Ministro Fernando Haddad. Foto: Reuters

Durante entrevista à GloboNews na terça-feira (7), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo, ao longo de 2024, teve problemas de comunicação que afetaram a economia e fez o dólar disparar.

“Nós tivemos um problema grave de comunicação”, disse ao comentar sobre a crise econômica, pressão por cortes e a disparada do dólar.

“Temos que nos comunicar melhor, e venho dizendo isso há muito tempo. O governo tem que ser coerente e resoluto, não podemos deixar brechas para os resultados que queremos atingir”, afirmou Haddad.

O dólar fechou 2024 a R$ 6,17. No ano, a alta acumulada foi de 27,35% por conta das expectativa em torno das contas públicas do governo. Na segunda, a moeda americana fechou em R$ 6,11, um recuo de 1,14%.

Segundo o ministro, misturar temas como isenção do Imposto de Renda e contenção de gastos ao anunciar o pacote fiscal do governo foi um dos problemas: “Talvez o tempo de maturação das medidas tenha sido excessivo e gerado expectativas frustradas”. Haddad destacou também o esforço para “um discurso mais chapado, para não dar margem” a notícias erradas.

No final de novembro, o governo propôs isentar do IR quem ganha até R$ 5 mil mensais. Atualmente, o limite de isenção é de R$ 2.824 (até dois salários mínimos). O momento do anúncio incomodou a cúpula da Câmara dos Deputados, que viu a medida como desnecessária por conta de que a discussão do projeto só será feita este ano.

Haddad comentou que há um esforço do governo de criar um discurso mais coeso do que será feito no governo e que outro problema são as notícias falsas nas redes sociais.

“Eu tenho um problema interno de comunicação do governo e tenho um problema externo desafiador, as duas coisas juntas não deu legal. Agora, vamos corrigir, né? E eu penso que está havendo um esforço grande de coesão em torno de um discurso mais chapado sobre o que nós pretendemos fazer, que não dê margem. Porque hoje, mesmo quando você não dá margem, alguém inventa. O que eu vejo de notícia maluca no Twitter”.

Reunião com Lula

Na segunda (6), Haddad participou de uma reuniu com o presidente Lula e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. O orçamento de 2025 – que tem previsão de ser votado pelo Congresso em fevereiro – foi o tema central da conversa.

Segundo Haddad, a reunião durou três horas. “Para tratarmos da necessidade de sermos mais diligentes e mais cuidadosos que nunca”, disse na entrevista.

O ministro afirmou ainda que, após a aprovação do orçamento deste ano, o governo terá mais flexibilidade para trabalhar com a economia. “Nós primeiro temos que adequar o orçamento às medidas já aprovadas, que garantem flexibilidade na execução, algo que não tivemos nos últimos dois anos”.

Déficit de 0,1%

Haddad afirmou ainda que o déficit primário do Brasil em 2024 ficará em 0,1% e que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será de 3,6%. Os dados não consideram os gastos com a tragédia do Rio Grande do Sul.

Segundo o ministro, o déficit é menor do que o previsto. “Um ano atrás, a previsão do mercado era de 0,8% do PIB. Vamos nos lembrar que era antes do episódio trágico do Rio Grande do Sul que consumiu 0,27% do PIB para atender a população. Era 0,8%, vamos terminar o ano com 0,1% do PIB”.

Galípolo no BC

Haddad também comentou a relação com o novo presidente do Banco Cantral (BC), Gabriel Galípolo.

“O meu papel ali é resolver tecnicamente o problema, é o que eu tentava fazer com Roberto Campos e como eu farei com Gabriel Galípolo. Isso não significa dizer que nós vamos concordar sempre sobre o diagnóstico e o que fazer, mas cada um está no seu papel”, afirmou.

Haddad também defendeu a autonomia do BC e destacou que tem confiança em Galípolo. “O Banco Central tem um apanhado de informações, ele dialoga com a sociedade só que na hora da decisão tem um colegiado de nove pessoas que se reúnem, fecham as portas e tomam uma decisão autônoma. Isso não vai mudar com o Gabriel, e eu tenho a absoluta confiança de que ele sabe qual a missão do Banco Central”.

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