Trump consagra Charlie Kirk como mártir em funeral cheio de ataques à esquerda

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O presidente dos EUA, Donald Trump, antes de discursar no funeral do ativista de direita Charlie Kirk, em Glendale, Arizona - Mandel Ngan/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou o influenciador conservador Charlie Kirk de mártir e de “maior evangelista da liberdade na América” em cerimônia fúnebre que reuniu dezenas de milhares de pessoas em um estádio no Arizona e consolidou o assassinato do ativista trumpista como um evento de união da direita americana contra a esquerda.

Em cerimônia que uniu religião e exaltação do movimento Maga (“Make América Great Again”, slogan de Trump), o republicano afirmou que os radicais e seus aliados na mídia tentaram silenciar Charlie, voltando a dar conotação política ao assassinato de Kirk, alvejado durante apresentação numa universidade em Utah, no último dia 10.

“Charles James Kirk foi assassinado de forma horrenda por um monstro radicalizado, de sangue frio, por falar a verdade que estava em seu coração”, disse Trump. “Ele foi morto violentamente porque defendia a liberdade e a justiça, Deus e o país, a razão e o bom senso.”

Em discurso com diversos ataques à esquerda, o presidente mencionou a intervenção federal em Washington e a planejada operação para combater o crime em Chicago e fez referência à investigação de organizações progressistas acusadas por ele de patrocinar radicais de esquerda.

“Uma das últimas coisas que ele [Kirk] me disse foi: por favor, salve Chicago”, disse Trump.

Demonstrando a influência de Kirk –ele tinha comunicação direta com Trump e era amigo do vice-presidente, J.D. Vance –oito ministros e incontáveis autoridades participaram da cerimônia. Quase todos os discursos caracterizaram Kirk como mártir e falaram em Deus.

O secretário de Saúde, Robert F Kennedy Jr., comparou Kirk a Jesus. A deputada Anna Paulina Luna o igualou a John Kennedy e Martin Luther King, dois ídolos progressistas assassinados.

Kirk, 31, liderava a Turning Point USA, que fazia campanha em universidades e incentivava o voto jovem. A organização política é considerada uma das principais responsáveis pela grande votação que Trump conseguiu entre jovens na eleição do ano passado. A viúva de Kirk, Erika, assumiu o seu comando.

Muitos na esquerda condenaram o assassinato de Kirk, mas não o veem como mártir. Ele era alvo de críticas por seus comentários sobre negros, a comunidade LGBTQIA+, muçulmanos e imigrantes.

Mais de 70 mil pessoas lotaram o estádio State Farm, com dezenas de milhares em uma área adjacente. O Departamento de Segurança Interna dos EUA classificou o funeral como um evento de segurança de nível máximo, semelhante ao Super Bowl ou à maratona de Nova York.

Embora a cerimônia estivesse marcada para às 11h locais (15h do Brasil), já às 5h30, milhares de pessoas estavam reunidas do lado de fora do estádio, algumas rezando e cantando músicas religiosas.

O bilionário Elon Musk foi ao local e foi visto batendo papo com Trump, com quem teve desentendimentos após sair do governo. O âncora Tucker Carlson e Donald Trump Jr., filho do presidente, também discursaram.

O assassinato de Kirk acirrou a guerra política nos EUA. Desde a morte do influenciador, Trump e integrantes de seu governo têm dito que vão punir grupos de esquerda e pessoas que criticarem ou atacarem o ativista de direita. A discussão em torno da morte já provocou uma série de demissões.

O caso mais emblemático veio à tona na quarta-feira (17), com a suspensão do programa do apresentador Jimmy Kimmel na rede ABC. Trump comemorou o afastamento do comediante e afirmou que emissoras que o criticassem estariam sujeitas à perda da licença de transmissão.

Stephen Miller, vice-chefe de gabinete de Trump e muito próximo ao presidente, fez um dos discursos mais exaltados. “Eles despertaram nosso exército. Nós representamos tudo que é bom e nobre. Eles são a maldade e o ódio”, disse, referindo-se à esquerda.

“Eles acharam que poderiam matar Charlie, mas o tornaram imortal. Nós vamos dedicar nossas vidas a concluir a missão dele.”

Outro que fez uma fala inflamada foi Jack Posobiec, um podcaster de direita que ajudou a espalhar a teoria da conspiração Pizzagate, de que políticos democratas secretamente administravam uma rede de tráfico sexual de crianças em uma pizzaria de Washington.

“Daqui a um século, quando escreverem sobre momentos cruciais que levaram à salvação da civilização ocidental, dirão que o sacrifício de Charlie Kirk foi um ponto de virada”, disse.

“Nós vamos derrotar a maldade deles. Vocês estão preparados para vestir a armadura de Deus?” indagou.

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