Trump tem ‘conversa horrível’ com líder da Dinamarca sobre Groenlândia
Donald Trump em coletiva na Flórida — Foto: REUTERS/Brian Snyder
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu que fala sério sobre tomar para seu país a Groenlândia. A declaração foi feita em uma ligação telefônica com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, descrita como muito tensa, de acordo com funcionários europeus.
Foram 45 minutos de diálogos, que ocorreram na semana passada. A Casa Branca não comentou sobre o telefonema, mas Frederiksen disse ter enfatizado durante a conversa que a ilha, um território autônomo da Dinamarca, não estava à venda, embora tenha notado o “grande interesse” americano nela.
Cinco funcionários europeus que tiveram conhecimento do teor da ligação disseram que a conversa entre Trump e Frederiksen foi péssima.
Segundo eles, o presidente dos EUA foi agressivo após a primeira-ministra dizer que a ilha não estava à venda, apesar de propostas feitas pelo lado dinamarquês relacionadas a maior cooperação em bases militares e exploração mineral.
Os detalhes da ligação aumentam as preocupações europeias de que o retorno de Trump ao poder deverá tensionar os laços transatlânticos mais do que nunca, à medida que o republicano pressiona os aliados a cederem território.
Trump começou seu segundo mandato com ameaças sobre anexar a Groenlândia, o Canal do Panamá e até mesmo o Canadá.
Autoridades europeias achavam que os comentários do republicano sobre buscar ter o controle da Groenlândia por motivos de “segurança nacional” fossem uma manobra de negociação para ganhar mais influência na Otan, a aliança militar liderada pelos EUA. Rússia e China também disputam posição na região do Ártico.
A ligação com Frederiksen, no entanto, destruiu essas esperanças. Um dos funcionários disse, sob a condição de anonimato, que Trump ameaçou tomar medidas contra a Dinamarca, incluindo a imposição de tarifas.
O gabinete da primeira-ministra dinamarquesa afirmou que “não reconhece a interpretação da conversa dada por fontes anônimas”.
A Groenlândia, com 57 mil habitantes, é um ponto de entrada para novas rotas de navegação que estão gradualmente se abrindo através do Ártico em razão do aquecimento global; a ilha também possui minerais abundantes, mas de difícil acesso e exploração.
“O presidente Trump deixou claro que a segurança da Groenlândia é importante para os Estados Unidos à medida que China e Rússia fazem investimentos significativos em toda a região ártica”, disse um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.
“O presidente está comprometido não apenas em proteger os interesses dos EUA no Ártico, mas também em trabalhar com a Groenlândia para garantir a prosperidade mútua para ambas as nações.”
Trump ameaçou no início de janeiro impor tarifas à Dinamarca caso autoridades do país europeu se opusessem a ele. Ele ainda se recusou a descartar o uso de força militar para tomar o controle da Groenlândia.
“As pessoas realmente nem sabem se a Dinamarca tem algum direito legal sobre isso [Groenlândia], mas, se tiverem, deveriam ceder porque precisamos disso para a segurança nacional”, disse Trump dias antes de assumir a Presidência.
“Estou falando sobre proteger o mundo livre”, acrescentou. “Você tem navios chineses por todas as partes. Você tem navios russos por todas as partes. Não vamos deixar isso acontecer.”
Múte Egede, primeiro-ministro da Groenlândia, tem enfatizado que os habitantes da ilha querem independência em vez de cidadania americana ou dinamarquesa.
Frederiksen realizou uma reunião com executivos de grandes empresas de seu país, na semana passada, para discutir as ameaças do presidente americano, incluindo a possível imposição de tarifas.
No dia da ligação de Trump, a primeira-ministra afirmou à TV 2, da Dinamarca, que “não existe dúvida de que há grande interesse na Groenlândia e ao redor dela”. “Com base na conversa que tive hoje, não há razão para acreditar que deva ser menos do que ouvimos no debate público”, afirmou.