Venezuela é atingida por mais de 800 tremores nos dez dias após terremotos gêmeos

0

O território da Venezuela foi alvo de mais de 800 réplicas —ou pequenos terremotos— desde o dia 24 de junho, quando dois tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 devastaram grande parte do país.

Silhuetas de oito pessoas caminhando e sentadas sobre escombros de uma estrutura destruída ao entardecer, com céu claro ao fundo.
Equipes de resgate trabalham em escombros de prédio destruído em Caraballeda, no estado de La Guaira, na Venezuela – Martin Bernetti – 2.jul.26/AFP

A Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas, órgão responsável por este tipo de monitoramento, contabilizou 804 sismos até a manhã da sexta (3). A maioria destes tremores, cerca de 98%, teve magnitude inferior a 4 —o que indica que, via de regra, não puderam ser sentidos pela população.

Não há limites bem definidos sobre o que são consideradas réplicas de um grande terremoto e o que, portanto, poderia ser considerado um novo evento. Especialistas da área, no entanto, convergem que é frequente o aumento no número de sismos após um terremoto principal.

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow

A Venezuela está em uma zona de fronteira entre as placas tectônicas do Caribe e a Sul-Americana e, por isso, é comum haver atividade sísmica na região. Os terremotos gêmeos de magnitudes 7,2 e 7,5 foram, porém, os mais fortes deste século.

Não é possível prever, segundo o serviço geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), a quantidade ou a intensidade tanto do tremor principal quanto de suas respectivas réplicas. As consequências geológicas, segundo o órgão, podem acontecer a longo prazo.

O USGS estima, por exemplo, que “os deslizamentos de terra desencadeados por esse terremoto [de 24 de junho] provavelmente serão significativos em número e/ou extensão espacial”. A agência publicou alertas para áreas do território venezuelano próximas a rios ou grandes acúmulos de água, porque “podem enfrentar um risco elevado de novos deslizamentos e fluxos de detritos por vários anos”.

Uma análise preliminar da Nasa concluiu que quase 59 mil edifícios provavelmente foram danificados ou destruídos na Venezuela.

O USGS afirma também que, após os terremotos principais, as réplicas “podem tornar encostas íngremes mais suscetíveis a deslizamentos por um período que varia de alguns meses a alguns anos”. Em segunda instância, isso pode inviabilizar novas construções em diversas regiões.

O diretor do Colégio de Engenheiros da Venezuela, Richard Casanova, chegou a afirmar dias após os terremotos que, como as montanhas íngremes descem abruptamente até uma estreita faixa costeira na região de La Guaira, inundações e deslizamentos de terra tendem a se canalizar diretamente por áreas populosas naquele local. Isso, segundo ele, teria contribuído para a devastação.

Na prática, especialistas apontam para a necessidade de análises técnicas detalhadas e constantes para determinar tanto o nível de destruição quanto a capacidade de reconstrução nos locais mais atingidos. No último domingo, a líder interina da ditadura venezuelana, Delcy Rodríguez, anunciou que o regime estava formando uma comissão para avaliar as estruturas habitacionais danificadas, mas não deu detalhes sobre um possível cronograma.

O número de mortos em decorrência dos terremotos da última semana chegou a 2.954 no sábado (4), e a expectativa é de que aumente à medida que as equipes consigam acessar os destroços. Segundo o regime, há mais de 16 mil feridos. O chefe de ajuda humanitária da ONU estima haver mais de 50 mil desaparecidos pelo país.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...