Randolfe Imagem colorida do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Senador Randolfe Rodrigues

Por acaso o líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (Sem partido-AP), bateria à porta da Ordem dos Advogados do Brasil, ou de qualquer outra entidade de classe, para perguntar se existiria algum tipo de constrangimento se um dos seus membros fosse convocado a depor em uma CPI?

Às vésperas do depoimento do general Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional de Bolsonaro, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do golpe de 8 de janeiro, foi o que fez Rodrigues ao bater à porta do Ministério da Defesa. Ele mesmo contou como se fosse uma coisa natural:

“É de conhecimento de todos que existem pedidos, tanto da oposição quanto da base de apoio ao governo, de chamamento de membros das Forças Armadas, do Exército e da Marinha. Vim perguntar ao ministro, na condição de líder do Governo, se existe algum tipo de constrangimento. E digo em alto e bom som que recebi como resposta do ministro, assim como dos comandantes militares, que não há constrangimento algum”.

O ministro José Múcio Monteiro confirmou no mesmo tom:

“Absolutamente nenhum constrangimento. Antes que ele falasse qualquer nome, nós dissemos que não”.

O general Heleno irá depor hoje com autorização do Supremo Tribunal Federal para ficar calado, a não ser que queira responder às perguntas. Ele pediu ao Supremo para não ir. Seu pedido foi recusado. O depoimento do general Braga Netto, ex-ministro da Defesa e vice de Bolsonaro, está previsto para a próxima semana.

Estão na mira da CPI o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército; Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ex-ministro da Defesa e ex-comandante do Exército; e Filipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais do governo Bolsonaro.

Se a ida de Rodrigues ao Ministério da Defesa foi uma jogada para mostrar a disposição dos comandantes militares de que o golpe de 8 de janeiro seja investigado doa em quem doer, o tiro acabou saindo pela culatra. Serviu para fortalecer o discurso de que o Poder Civil segue sendo tutelado pelo Poder Militar. Até quando?

Por Ricardo Noblat

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