Adolescente de 12 anos gasta R$ 2.000 em jogo online e agride a mãe, diz polícia

0
criança mexendo em celular smartphone telas

(Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay

Uma mulher de 34 anos acionou a Polícia Militar de Minas Gerais afirmando ter sido agredida pelo próprio filho, de 12 anos, após ela questioná-lo sobre compras em um jogo de aposta online. O caso ocorreu na segunda-feira (15) em Patos de Minas.

De acordo com a polícia, a mãe contou que descobriu que o menino gastou R$ 2.000 no cartão de crédito dela para fazer apostas. Questionado sobre o gasto, ele ficou nervoso e a agrediu com um soco na boca, relatou a mãe.

Segundo registrado no boletim de ocorrência, a agressão deixou hematomas e causou sangramento. O caso é investigado pela Polícia Civil como lesão corporal, e segue sob sigilo conforme o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow

O adolescente está sob os cuidados do pai, que não mora com a mãe. Os responsáveis foram orientados a procurar tratamento psicológico para o filho.

Pesquisa Datafolha mostrou que os mais jovens são os que mais fazem apostas esportivas online. Dos usuários dessas plataformas no Brasil, 40% têm entre 16 e 24 anos —a pesquisa, realizada em dezembro do ano passado, entrevistou pessoas a partir dos 16 anos. Dentre a população brasileira dos 16 aos 24 anos, 30% já fizeram apostas.

Mestre em psicologia pela PUC-Rio, Matheus Karounis avalia que a necessidade de segurança financeira, proposta pela ideia de dinheiro fácil, é ainda mais sensível em crianças e adolescentes, que ainda estão formando suas personalidades e interesses.

“Essa falsa facilidade que os jogos de aposta apresentam em suas propagandas e [divulgação por] influenciadores pode construir uma noção irreal da vida pessoal, profissional e social da criança”, afirma Karounis, que orienta pais e responsáveis a procurarem ajuda profissional caso percebam uma possível compulsão.

Para o psicólogo, que é especialista na área de ansiedade, depressão e transtornos de atenção, o tema requer um esforço conjunto.

“As escolas precisam incluir esse debate em sala, propondo esclarecimento real sobre educação financeira. Já o governo deve promover campanhas públicas contra essas propagandas, maior regulamentação da internet, bem como de propagandas por intermédio de influenciadores que acessam esses jovens. E pais e responsáveis devem monitorar quem são essas pessoas que influenciam seus filhos a consumir esse tipo de conteúdo”, diz Karounis.

No Brasil, promover o uso de jogos de azar por crianças e adolescentes fere as leis de proteção à infância e os critérios estabelecidos pelo Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) e pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária).

COMO BUSCAR AJUDA

Jogadores Anônimos do Brasil
Promove encontros para compartilhar experiências e ajudar outras pessoas a se recuperarem de problemas com jogos. Há cidades que realizam reuniões semanais regulares
jogadoresanonimos.com.br

PRO-AMJO
Serviço do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP é voltado para estudar e tratar pacientes com transtornos causados por jogos
www.proamiti.com.br/transtornodojogo
(11) 2661-7805

Serviços de saúde
Procure uma UBS (Unidade Básica de Saúde) ou Caps (Centros de Atenção Psicossocial) próximo de sua residência para encaminhamento psicológico

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow