Pequeno panorama de presidenciáveis
Por Ricardo Noblat
Novembro vai se despedindo com as eleições presidenciais na veia. Foi o mês das pré-candidaturas oficiais, quase oficiais e possíveis blefes. Políticos sonhando em conquistar o terço dos eleitores descontentes com Lula e Bolsonaro – e sobretudo esperando atrair a direita arrependida e sua repulsa ao pior presidente de nossa História.
Já são doze presidenciáveis. Falemos de alguns deles. Lula conquista apoio internacional, conversa com todos espectros políticos, lidera pesquisas, não tem adversários em seu campo. Já encomendou o terno do segundo turno. Bolsonaro segue candidato desde que assumiu o mandato. Tem a seu favor a caneta, devotos furiosos, o antipetismo e as fake news. Contra, seu governo inepto e as palavras genocida e ignorante tatuadas em seu sobrenome.
Depois dos dois favoritos, o assunto é Ciro, o perdido. Bate em Bolsonaro, bate em Lula, agora dirige suas críticas a Moro. Segundo O Globo, em novembro seu Twitter atacou sete vezes o ex-juiz – em outubro não o mencionou uma vez sequer. Suspendeu sua pré-candidatura após parlamentares do PDT votarem a favor da PEC dos Precatórios. Retornou à disputa dizendo-se fortalecido. É conhecido, tem João Santana, mas a dúvida é se vai apoiar Lula no segundo turno ou digerir ressentimentos em uma viagem internacional.
Moro é candidato? O ex-juiz vai concretizando com surpreendente habilidade o projeto político da Lava Jato. Ao deixar o cargo de ministro garantiu a aura de herói da direita anti-bolsonaro. A pesquisa Ipespe já mostrou sua competitividade ao ocupar o terceiro lugar, empatado com Ciro. Conservadores de todas as classes, boa parte da imprensa e pessoas que sabem a ordem dos talheres tendem a apoiá-lo. Vai colar repetir o discurso de outsider contra a corrupção de Bolsonaro? Esse déjà-vu, as derrotas da Lava Jato e seu carisma de encantador de samambaias podem prejudicá-lo.
Doria venceu as prévias do PSDB e talvez tenha conquistado sua última vitória até 2022. Enquanto a maioria dos candidatos são unanimidade em seus partidos, Doria coleciona inimigos. Traiu Alckmin, tentou derrubar Aécio e Bruno Araújo e fez de Eduardo Leite um desafeto, que descartou integrar sua campanha. Deputados federais ameaçam abandonar a legenda. O eleitor vê o tucanato com desconfiança. Depende da desistência de Moro e de outro case de marketing político, em um partido com cara de vice.
Rodrigo Pacheco candidato contraria a essência do PSD. Em 2018 o partido apoiou Alckmin no primeiro turno e ficou neutro no segundo. Não se sabe qual a jogada de Kassab, mas há muito ele entendeu o xadrez do Legislativo. Nada melhor ter o presidente do Senado ao seu lado.
Mandetta ventilou que deixaria a disputa e depois desmentiu. O União Brasil, partido formado pela fusão entre PSL e DEM, deve lançar candidato para ser reconhecido pelo eleitor. Mandetta decidirá entre uma candidatura sem futuro e um páreo duro pelo Senado em Mato Grosso do Sul.
São doze pré-candidatos e o espaço finda. Quem falta? Resumão. Simone Tebet é a única mulher, teve grande participação na CPI, mas é do MDB, uma sigla que fingiu apoiar Henrique Meirelles em 2018. Alessandro Vieira (Cidadania) sonhou ocupar o lugar de Moro no imaginário anticorrupção. Luiz Felipe d’Avila (Novo) e André Janones (Avante) são como jogadores que entram no final da partida: sem nota. Cabo Daciolo, sexto colocado nas últimas eleições, promoverá a si mesmo e o Brasil 35, antigo Partido da Mulher Brasileira.
