Justiça manda noivo de Marina Ruy Barbosa devolver controle de holding a patriarca da Marabraz
Abdul Fares e a noiva, Marina Ruy Barbosa ao comemorar o aniversário da atriz - @marinaruybarbosa no instagram
O atual administrador do grupo Marabraz, Nasser Feres, e o seu irmão, Jamel, conseguiram uma vitória na Justiça contra seus próprios filhos pelo controle da LP Administradora de Bens, que agrega o patrimônio imobiliário do clã estimado em R$ 5 bilhões.
A juíza Andréa Galhardo Palma, da 2ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem, determinou que Najla, única herdeira de Nasser, e Karine, Abdul e Sumaya, filhos de Jamel, devolvam as ações da holding. Abdul é noivo da atriz Marina Ruy Barbosa.
Assim, Najla passou a deter um terço da empresa; enquanto Jamel dividiu seu terço do negócio entre Abdul e Sumaya; e Adiel transferiu a sua terceira parte para os seus filhos, Nader e Raquel.
O arranjo funcionou bem nos primeiros anos, mas se deteriorou quando a nova geração teria entrado em choque com a velha guarda. À frente da LP estão hoje os primos Abdul e Nader, descritos na ação como herdeiros perdulários com um estilo de vida nababesco que coloca em risco o patrimônio familiar.
Nasser e Jamel, então, entraram com uma ação para reaver o controle da holding, alegando que a transação foi uma simulação de compra e venda numa tentativa de blindagem patrimonial diante de enorme passivo fiscal.
E, agora, obtiveram vitória na Justiça. A juíza Andréa Galhardo Palma, da 2ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem, concordou que que as vendas das cotas em 2011 foram “um negócio simulado, com vistas a fraudar o Fisco, como blindagem patrimonial familiar”, decidindo pela nulidade da transação.
A magistrada determina que Najla devolva a Nasser as suas cotas da empresa, que representam 33% do capital social, e que Abdul, Sumaya e Karine façam o mesmo com Jamel.
“Por fim, em observância ao princípio da preservação da atividade empresarial, para que se viabilize a continuidade das operações, determino que a administração das empresas, por ora, retornem aos autores (seus fundadores), sem prejuízo de novas repactuações entre os sócios”, finaliza a decisão.
Adiel não comprou a briga dos seus dois irmão e, portanto, seus filhos, Nader e Raquel, seguem como sócios da empresa. Foi anexada à ação em 20 de janeiro uma declaração de Adiel contestando a ação contra os herdeiros.
Em nota, os sócios da LP Administradora dizem que “receberam com surpresa” a notícia da decisão judicial e que “as defesas ainda não foram comunicadas formalmente da decisão”.
“Qualquer julgamento seria prematuro: a transferência ocorreu há quase 15 anos, e seu questionamento na ação acumula mais de 8.000 páginas. Por outro lado, a ação foi iniciada há apenas três meses e as partes sequer indicaram as provas que pretendem produzir”, segue o posicionamento. .
Para justificar a retomada do controle da holding, é relatada no processo a “esbórnia dos herdeiros”. Na peça inicial da ação, os advogados de Nasser revelam que de 2022 até 2024 “Nader torrou nada menos do que R$ 21,4 milhões em despesas pessoais”.
Em 2023, o jovem que já foi apontado como affair da atriz e influencer Jade Picon comprou um avião Gulfstream, por R$ 30 milhões. Já Abdul teria gasto R$ 16,3 milhões de despesas pessoais no mesmo período, com viagens de jatinho e presentes como o anel de noivado com Ruy Barbosa de R$ 1 milhão.
“Os seis herdeiros conseguiram a proeza de, em menos de três anos, queimarem R$ 78,8 milhões em despesas pessoais”, diz a inicial. “E isso sem contar os valores milionários que eles já recebem das Lojas Marabraz.”

É feita ainda uma comparação com as retiradas do trio de patriarcas. As despesas dos três irmãos somadas dos últimos três anos pagas pela LP representam cerca de 7% do valor total das despesas de seus filhos, comparam os advogados de Nasser.
A defesa dos seis herdeiros apresenta dados de que a holding vem sendo bem administrada e gerando resultados. Quanto aos gastos expressivos, argumenta que a família é bilionária e seu padrão de vida acompanha tal realidade. “Isto não é crime, não é imoral.”
A briga familiar também teve desdobramentos na esfera criminal. Um inquérito policial apura denúncias feitas por Najla contra o próprio pai registradas em boletins de ocorrência na 15ª Delegacia de Polícia da capital.
Em 24 de janeiro, os advogados de Najla entraram com pedido de medida protetiva diante de “violências psicológicas, patrimoniais e morais” que teriam sido praticadas pelo genitor contra ela.
Descrita como refém durante toda a vida, a jovem acusa o pai de crimes de invasão de domicílio e registro não autorizado de sua intimidade.
Veja, abaixo, a íntegra da nota dos sócios da LP Administradora:
“A LP Administradora de Bens Ltda. e seus sócios receberam com surpresa, por meio de pedidos de entrevista, a notícia de que a 2ª Vara Regional Empresarial de São Paulo teria reconhecido a nulidade da transferência das cotas da empresa para os atuais sócios. As defesas ainda não foram comunicadas formalmente da decisão. Qualquer julgamento seria prematuro: a transferência ocorreu há quase 15 anos, e seu questionamento na ação acumula mais de 8.000 páginas. Por outro lado, a ação foi iniciada há apenas três meses e as partes sequer indicaram as provas que pretendem produzir.
Os autores da ação na Justiça de São Paulo já haviam tentado tomar o controle da LP Administradora na Justiça Federal, sem sucesso. Há menos de um mês, no dia 6 de março, o Órgão Especial do Tribunal Regional Federal da 3ª Região concluiu julgamento categórico impedindo essa medida. Os autores tentam a mesma manobra na Justiça Estadual. A LP Administradora e os seus sócios confiam no Poder Judiciário do Estado de São Paulo e no seu Tribunal de Justiça, para o qual apresentarão seus recursos no momento adequado.
Os netos da falecida matriarca Hajar Abbas Fares confiam que a vontade dela, representada em uma transferência de cotas perfeitamente legal e assinada por todas as gerações da família, será confirmada pela Justiça, em todas as suas instâncias.”
