Lula faz evento em SC com discurso de Wesley Batista e sem governador, chamado de ingrato por ministro

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Presidente Lula - Ricardo Stuckert - 24.mai.25/Divulgação/PR

O presidente Lula (PT) participou na quinta-feira (29) da cerimônia de retomada das operações do Porto de Itajaí, no litoral norte de Santa Catarina, sem a presença do governador do estado, o bolsonarista Jorginho Mello (PL), e do prefeito do município, Robison Coelho (PL).

O petista adotou tom eleitoral em discurso e criticou Jair Bolsonaro (PL), sem citar o nome do antecessor, afirmando que ele criou um ambiente de ódio quando estava no governo. Mencionou a ausência do chefe do Executivo catarinense, que foi chamado de ingrato pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos).

A cerimônia ainda contou com discurso do empresário Wesley Batista, dono da JBS. A empresa é controladora da JBS Terminais, que opera o porto da cidade via contrato de concessão temporária. O terminal de cargas está sob gestão do governo federal desde janeiro deste ano.

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Lula iniciou seu discurso falando que um governo federal nunca investiu tanto em Santa Catarina e, sem citar o nome de Bolsonaro, disse que “o outro” apenas montou “um gabinete do ódio para contar mentira durante quatro anos”.

Em tom de campanha, criticou o governo anterior e fez menção à ausência do governador e do prefeito. “Eu sei que eles estão com raiva e eles nem vieram e não vão vir. Porque a desgraça de quem conta a primeira mentira é que passa o tempo inteiro mentindo”, afirmou.

“Eu quero ver no confronto direto. Se eles têm coragem de dizer o que fizeram nesse país a não ser gargantear, a não ser mostrar a arma, a não ser legalizar o porte de arma, a não ser mostrar metralhadora. Eu prefiro mostrar livro”, concluiu o petista.

As ausências do governador e de Robison Coelho foram lembradas logo no início da cerimônia, no discurso do superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares.

“Vivemos um tempo estranho. De pessoas que trabalham pela união e pessoas que alimentam a divisão. Até hoje não conseguimos nos aproximar de forma adequada da prefeitura. Até hoje não recebemos a visita do Jorginho Mello, que ignora a importância do porto. Parece cada vez mais difícil dialogar. Mas não vamos desistir”, disse ele.

Depois, Silvio Costa Filho subiu o tom: “Se tem um governador que está sendo ingrato com o presidente Lula é deste estado aqui”, disse ele. “Mas a verdade sempre vem. Quanto mais eles torcem contra, mais o presidente trabalha”, continuou Costa Filho.

A ausência de Jorginho no evento de quinta-feira (29) já era esperada. O governo catarinense disse que ele cumpriria uma agenda em São Lourenço do Oeste, município no oeste do estado, a 580 quilômetros de Itajaí.

A má relação entre o presidente e o governador do estado é pública. O bolsonarista frequentemente critica Lula em suas falas, e o petista já reclamou da postura do chefe do Executivo estadual.

Jorginho também não compareceu à primeira visita de Lula a Santa Catarina no atual mandato, em agosto do ano passado. Na ocasião, o mandatário visitou Itajaí e Palhoça para acompanhar o lançamento de um novo navio da Marinha e inaugurar o Contorno Viário da Grande Florianópolis, rodovia paralela à BR-101 no estado.

O porto de Itajaí também foi caso de atrito entre o petista, o governador catarinense e o prefeito itajaiense. Ele era administrado pelo município de mesmo nome, mas a movimentação de contêineres foi praticamente interrompida no final de 2022, dando início a um debate sobre qual modelo de concessão deveria ser adotado.

A discussão se estendeu até final do ano passado, quando o governo Lula optou por assumir a administração do porto. A federalização gerou protestos de Jorginho e de Robison Coelho. A decisão do governo federal chegou a ser barrada pela Justiça, mas autorizada posteriormente.

A gestão petista anunciou nesta quinta investimentos de R$ 844 milhões em modernização e ampliação da capacidade do porto, incluindo a dragagem do canal do rio Itajaí-Açu (R$ 90 milhões).

Wesley Batista fez uma fala breve e afirmou que “mais dois ou três meses e o porto estará operando na sua capacidade máxima”.

Ele e seu irmão, Joesley Batista, voltaram à cena política no terceiro mandato de Lula sete anos após estarem no centro de um escândalo político que quase custou o mandato de Michel Temer (MDB) e de fazerem delação premiada na Operação Lava Jato que atingiu o PT. O dois chegaram a se encontrar com Lula no ano passado no Palácio do Planalto.

Ambos ficaram afastados de 2017 até o começo de 2024 do conselho de administração da JBS, quando renunciaram aos cargos por pressão do mercado em meio a investigações da Lava Jato.

Em 2023, o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu os efeitos do acordo de leniência que a J&F (holding que administra os negócios da família) havia assinado com o MPF (Ministério Público Federal) em 2017. Ele atendeu a pedido dos Batista, que alegaram coação de procuradores da Lava Jato a representantes da holding.

A ida do petista ao porto acontece em meio à chegada de um navio com 7.000 carros da fabricante chinesa BYD. A operação para retirada dos veículos é considerada complexa e segue até o fim de semana.

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