Motta e Alcolumbre dizem que lei garante soberania e que estão prontos para reagir a medidas de Trump

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Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)

Os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), divulgaram nesta quinta-feira (10) uma nota conjunta em resposta à decisão dos Estados Unidos de impor novas taxações sobre setores estratégicos da economia brasileira.

No texto, os chefes do Congresso afirmam que o Brasil deve responder com “diálogo nos campos diplomático e comercial”, mas sinalizam que estão prontos para agir “com equilíbrio e firmeza” para proteger a economia nacional, o setor produtivo e os empregos dos brasileiros.

Os dois optaram pelo silêncio nas primeiras horas do ataque tarifário de Trump contra o Brasil. Diante da ampla repercussão e da tensão gerada em poderosos setores econômicos, decidiram agora reagir.

Nesta quinta (10), mais de 24 horas depois do anúncio dos EUA, ambos se reuniram e fizeram o texto conjunto.

Alcolumbre e Motta também mencionam a recente aprovação da Lei da Reciprocidade Econômica, apresentada como um “mecanismo que dá condições ao nosso país, ao nosso povo, de proteger a nossa soberania”.

A nota reforça que o Congresso acompanhará de perto os desdobramentos da medida americana. “Com muita responsabilidade, este Parlamento aprovou a Lei da Reciprocidade Econômica”, afirmam.

A manifestação ocorre em meio ao agravamento das tensões comerciais entre Brasil e EUA.

Um documento oficial datado de 10 de julho de 2023, com o cabeçalho do governo brasileiro. O texto aborda a decisão dos Estados Unidos sobre novas sanções relacionadas ao comércio brasileiro e menciona a responsabilidade do Congresso Nacional. O documento é assinado por Davi Alcolumbre, Presidente do Senado Federal, e Hugo Motta, Presidente da Câmara dos Deputados.
Carta publicada e assinada por Motta e Alcolumbre – Divulgação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu impor uma sobretaxa de 50% ao Brasil e citou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na carta enviada ao presidente Lula (PT) na quarta-feira (9). É a maior tarifa extra entre as 22 anunciadas pelo americano nesta semana.

Segundo Trump, a sobretaxa será imposta, em parte, devido aos “ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos”.

Trump afirma que a forma como o Brasil tem tratado Bolsonaro é uma “vergonha” e que o julgamento contra o ex-presidente é uma “caça às bruxas que precisa ser encerrada”.

O presidente americano ainda cita cobranças tarifárias e não tarifárias do Brasil que seriam injustas na visão do republicano. Ele afirma haver déficit com o país —mas os EUA na verdade têm superávit comercial com os brasileiros.

Em nota ainda na quarta-feira (9), Lula criticou a sobretaxa e disse que a medida será respondida por meio da lei de reciprocidade.

“É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano. As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos”, escreveu Lula no X (antigo Twitter).

Nesta quinta (10), Lula criticou Bolsonaro (PL) pela imposição de tarifa de 50%. “O ex-presidente da República deveria assumir a responsabilidade porque ele está concordando com a taxação do Trump ao Brasil. Aliás, foi o filho dele que foi lá fazer a cabeça do Trump”, disse Lula em entrevista à Record.

Lula disse ainda que quer criar um comitê composto por empresários para acompanhar a questão tarifária entre os dois países, e que as medidas diplomáticas estão sendo tomadas pelo Itamaraty. Ele voltou a citar a aplicação da Lei da Reciprocidade como uma das opções de resposta, além de recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio), se necessário.

Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro e que postou vídeo usando boné com o slogan de Trump, admitiu o “impacto negativo para São Paulo” da tarifa de 50%, culpou o presidente Lula (PT) pela medida e mandou recado ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Em entrevista a jornalistas em São Paulo, ele defendeu ação diplomática para reverter a decisão até agosto e criticou o que chamou de postura ideológica e revanchista do governo.

Disse que o “tarifaço” afeta especialmente estados com indústria de maior valor agregado, como São Paulo, e citou a Embraer entre as empresas prejudicadas. Também mandou recado ao STF, afirmando que o país precisa resolver a questão com diálogo e criticou o distanciamento do governo federal em relação à Casa Branca.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) —atualmente licenciado do mandato— publicou nota na quarta pedindo às autoridades brasileiras que “evitem escalar o conflito” com Washington, sob o risco de retaliações tarifárias mais duras.

Desde fevereiro Eduardo tem atuado por sanções a Moraes em encontros com autoridades do governo americano e do Congresso e afirmavam ver crescer o apoio a essa hipótese.

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