AGU contrata escritório de advocacia para defender Brasil contra sanções nos Estados Unidos

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O advogado-geral da União, Jorge Messias. foto: reprodução

A AGU (Advocacia Geral da União) contratou o escritório Arnold & Porter Kaye Scholer LLP para atuar nos Estados Unidos em defesa do Brasil diante das tarifas aplicadas pelo presidente Donald Trump, assim como outras punições aplicadas a agentes públicos do país, como bloqueio de ativos e restrições financeiras.

Segundo a AGU, o escritório “vai atuar perante órgãos e autoridades judiciais dos Estados Unidos, mediante instruções exclusivas da AGU”. A firma tem experiência em litígios internacionais e já aconselhou o Brasil em matéria jurídica.

A contratação de advogados para representar os interesses do Estado brasileiro é necessária devido aos requisitos de habilitação profissional exigidos por outros países, uma vez que os advogados da União, em regra, não podem atuar em jurisdições estrangeiras.

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Nesse caso, os advogados privados devem atuar sob orientação estrita dos advogados da União, após articulação com os órgãos competentes do Estado brasileiro.

A AGU informou que o valor máximo que poderá desembolsar com o contrato será de até US$ 3,5 milhões (R$ 19 milhões) no prazo de 48 meses. Os pagamentos serão feitos mediante demanda e a contratação foi feita pelo critério de inexigibilidade de licitação.

Pesou na escolha do escritório experiências positivas que o Brasil teve com a firma anteriormente. Em junho, os advogados assessoraram o país numa venda de títulos globais.

O ex-embaixador Tom Shannon também atua no Arnold & Porter como conselheiro sênior para política internacional. Shannon foi embaixador dos EUA no Brasil entre 2009 e 2013, e secretário de Estado assistente para assuntos do hemisfério Ocidental.

O escritório contratado pela AGU poderá atuar tanto em âmbito jurídico como administrativo. Isto é, além de representar o país diante de tribunais, seus integrantes também poderão atuar junto a autoridades americanas para sensibilizá-las em relação às sanções aplicadas ao Brasil.

“Estão incluídas no escopo de atuação do contrato quaisquer medidas de caráter punitivo aplicadas contra os interesses do Estado brasileiro, de empresas e de agentes públicos brasileiros, tais como tarifas, denegações de visto, bloqueio de ativos e restrições financeiras”, diz a AGU.

Além da aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, os EUA revogaram os vistos do ministro Alexandre de Moraes e outros ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Suspenderam ainda a autorização de entrada no país de parentes do ministro Alexandre Padilha (Saúde) e outros integrantes da pasta que atuaram na formulação do programa Mais Médicos.

A AGU tem contratos com 17 escritórios de advocacia em outros 11 países para representação dos interesses do Brasil.

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