Centrão quer Correios, mas estatal deve continuar com PT

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Foto: Reprodução

por Folha de S.Paulo

O presidente Lula tenta encontrar um substituto para o comando dos Correios para resolver uma crise financeira, que se agravou no primeiro semestre deste ano. Partidos do centrão querem ocupar o espaço, mas o mandatário tende a manter a estatal sob seu controle. Ainda não há um nome cotado.

Demissionário, o advogado Fabiano Silva dos Santos é tido como um executivo muito ligado ao presidente. Ele segue no cargo, sofrendo ataques da oposição e até de ministros do próprio governo.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, cobrava de Silva dos Santos um enxugamento nas contas dos Correios.

Em sua gestão, Fabiano, como ele é conhecido no governo, implementou um plano de diversificação de negócios para ampliar as receitas.

Os resultados financeiros, entretanto, vêm se mostrando ruins. O prejuízo no primeiro semestre deste ano foi de R$ 4,3 bilhões. Somente entre abril e junho, ele foi de R$ 2,6 bilhões.

Nesse período, as receitas foram de R$ 8,9 bilhões –R$ 1 bilhão a menos do que no mesmo período do ano anterior. As despesas somaram R$ 13,4 bilhões.

O ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, não fala no assunto, mas assessores e políticos aliados afirmam que a troca no comando da estatal é certa.

Siqueira Filho foi presidente da Telebras e indicado por Juscelino Filho (UB-MA), que deixou o cargo após a denúncia da Procuradoria-Geral da República por supostos desvios em emendas parlamentares.

No Planalto, a avaliação é diferente. A junção de Progressistas e União Brasil, que fez surgir uma das maiores bancadas do Congresso e faz oposição ao governo, aumentou a pressão pela votação do projeto da Anistia –que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) chegou a convocar ministros ligados aos partidos do centrão para cobrar posição em defesa do governo junto aos partidos.

Segundo assessores, tudo caminha para menos espaço ao centrão no governo, o que fecha as portas para que o ministro das Comunicações indique algum nome ligado ao União Brasil, partido que o apoiou.

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