Sabino e Fufuca são punidos por partidos após decisão de ficar no governo Lula
Celso Sabino. Foto: Reprodução
Os comandos nacionais do União Brasil e do PP puniram na quarta-feira (8), respectivamente, os ministros Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esporte), após a decisão dos dois de permanecerem no governo Lula (PT) mesmo com a determinação dos partidos para o desembarque.
Sabino e Fufuca foram afastados de funções partidárias e, no caso do titular do Turismo, ele responderá a um processo de expulsão da legenda.
Apesar dos discursos das últimas semanas, as pressões das cúpulas do União Brasil e do PP, que se uniram em uma federação, não vinham surtindo efeito frente à resistência de Sabino e Fufuca de deixarem seus cargos.
Na terça-feira (7), em entrevista à TV Mirante no Maranhão, Lula falou em “pequenez” e “bobagem” a possibilidade de punições aos dois auxiliares. O presidente afirmou que não vai implorar pelo apoio de outros partidos para as as eleições de 2026 e “quem quiser ir para o outro lado que vá”.
O União Brasil abriu um processo de expulsão contra Sabino, com envio do caso ao Conselho de Ética, para análise em 60 dias; dissolveu o diretório do Pará, controlado por ele; e afastou-o de toda atividade partidária. O ministro era integrante da executiva nacional e do diretório nacional.
No caso de Fufuca, o PP o afastou das decisões partidárias, da vice-presidência nacional do partido e da presidência da sigla no Maranhão. A punição ocorreu pela resistência do ministro em sair do cargo, mesmo após o partido determinar o desembarque.
A decisão pela punição a Sabino ocorreu durante uma reunião realizada com membros da executiva nacional do União Brasil convocados pelo presidente da legenda, Antônio Rueda.
Em nota, Rueda disse que o diretório estadual do Pará passará a ser conduzido por uma “comissão provisória interventiva”. “O União Brasil reafirma o compromisso com a transparência das suas decisões e o respeito à vontade de seus filiados, atuando com responsabilidade para preservar a coerência com os seus princípios e valores”, diz trecho.
Sabino participou da reunião e disse em entrevista à imprensa que decidiu permanecer no governo Lula, sob a justificativa de que se envolveu pessoalmente com a COP30 e que não pode abandonar sua pasta agora, faltando poucos dias para a realização do evento. Sua base eleitoral, o Pará, é sede do encontro diplomático.
“Estamos a 30 dias da COP30, maior reunião diplomática do mundo. Não é oportuno que haja uma interrupção no trabalho. Vou permanecer pelo bem do povo do Pará, pela COP30”, disse ele.
Também afirmou que entende que o atual governo representa hoje o melhor projeto para o país e que deve sair candidato nas eleições de 2026, quando deverá deixar a Esplanada e voltar para o Legislativo em função da obrigatoriedade de desincompatibilização.
“Sigo ao lado do presidente Lula também por entender que esse é o melhor projeto para o país, que vem entregando resultados. A gente vai continuar com o diálogo para tentar sensibilizar os membros do partido, de que o momento eleitoral deve ser deixado para o prazo eleitoral”, disse Sabino.
Ele disse ainda que o União Brasil tomou decisões equivocadas e que os partidos precisam atender aos interesses da população. Ele afirmou que vai apresentar sua defesa ao Conselho de Ética e que acredita que conseguirá convencer correligionários de que o União Brasil pode apoiar o governo Lula.
“Ganhamos esse prazo e vamos buscar o diálogo. Temos muitos filiados no partido em diversas regiões do Brasil que defende o mesmo projeto que eu”, afirmou.
Presente na reunião, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), pré-candidato ao Planalto, disse que Sabino faz o jogo do PT e se comporta como traidor.
“Se ele quiser ficar no governo mesmo, é uma imoralidade ímpar. Soldado do Lula e soldado do União Brasil? Como é isso? É uma condição que não pode ser admitida”, disse Caiado, antes de entrar na reunião.
Ao sair do encontro, Caiado voltou a atacar Sabino e afirmou que o partido “não aceitará essas posições dúbias”. “O objetivo dele é fomentar a tese de que o partido não tem identidade, que pode ser tanto oposição quanto governo. Ele está cumprindo uma tarefa que Lula impõe, sem o menor respeito pelo partido no qual está filiado”, disse ele.
Sobre as declarações do correligionário, Sabino respondeu com ironia. “Quando ele [Caiado] atingir um e meio nas pesquisas eu respondo”.
“Ele se coloca como um excelente quinta coluna, um traidor, que está ali para atirar nas costas do partido. Mas o partido não vai se submeter a este jogo rasteiro dele. Tem o que a gente chama na vida política de caráter líquido. Ele toma a forma do frasco. Ele tomou a forma do frasco do PT”, continuou Caiado.
Fufuca
Ao anunciar a punição a Fufuca, o presidente do PP, Ciro Nogueira, reafirmou posicionamento “de que [o PP] não faz e não fará parte do atual governo, com o qual não nutre qualquer identificação ideológica ou programática”.
Na última terça-feira, o ministro dos Esportes participou de ato ao lado do presidente Lula (PT) no Maranhão e prometeu apoiar o petista.
“Em 2022, eu cometi um erro. Mas agora em 2026, pode ser que o meu corpo esteja amarrado, mas a minha alma, o meu coração e minha força de vontade estarão livres para brigar e para ajudar Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou o ministro, no evento em Imperatriz (MA).
Fufuca, que é deputado federal pelo Maranhão, acompanhou Lula na cerimônia de entrega de 2.837 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.
Após a decisão do PP nesta quarta, ele se manifestou em uma rede social e disse que “o meu trabalho e a minha atuação estão, inequivocamente, acima de quaisquer questões e disputas partidárias internas”.
“A pauta do desenvolvimento social e econômico do Maranhão e do Brasil está acima de quaisquer divergências. Meu posicionamento continuará firme, seguindo focado na tarefa de entregar políticas públicas eficazes, mantendo a palavra e a postura de quem trabalha pelo bem comum. O trabalho não para”, escreveu ele.
O ministério garante visibilidade e dinheiro para o ministro se cacifar para uma disputa ao Senado no próximo ano. Sem o comando do partido, porém, ele não tem garantia de que concorrerá à Casa alta.


