Motta diz que adiamento do PL antifacções é para ampliar debate e que não quer dar ‘troféu’ nem a Lula, nem a Derrite

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Hugo Motta (Foto: Daniel Lustosa/ RTC)

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou à GloboNews na sexta-feira (14) que a votação do projeto antifacções tem o objetivo de ampliar o debate sobre o tema.

Ele também disse não querer que o relator da proposta, Guilherme Derrite (PP-SP), ou o presidente Lula ganhem um troféu com aprovação do projeto.

A votação do texto estava prevista para a última quarta-feira (12), mas foi adiada para a próxima terça-feira (18) após pedido de líderes de diferentes partidos, de governadores de direita e do próprio governo.

“Quero que todos sentem a mesa e debatam com seriedade. Não estou interessado se Derrite vai ganhar troféu ou se esse troféu vai pra Lula. Isso não está na minha lista de prioridades”, disse Motta.

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“O que pretendo é que o Congresso endureça as leis e os bandidos entrem e fiquem na cadeia. Com essa quantidade de leis frágeis, não é isso que acontece hoje no Brasil”, emendou o presidente da Câmara.

De um lado, o governo diz que o projeto ainda traz problemas – em especial sobre o enfraquecimento de recursos destinados à Polícia Federal.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, chegou a dizer que prefere que a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança seja votada antes do projeto antifacções.

Governadores de direita – Cláudio Castro (PL-RJ), Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG), Jorginho Mello (PL-SC) e a vice-governadora Celina Leão (PP-DF) – estiveram com Motta na quarta-feira e também pediram mais tempo para análise do projeto.

Mudanças

Derrite chegou a apresentar uma quarta versão do parecer na noite de quarta-feira, corrigindo pontos criticados pelo Planalto.

Por exemplo, na última versão ele classifica o termo “facção criminosa” na legislação (como estava na versão apresentada pelo governo) e repassa parte dos recursos de bens ilícitos apreendidos para a Polícia Federal.

Deputados do Centrão que acompanharam as articulações disseram que os parlamentares queriam mais tempo para debater a proposta. Por isso, a sessão da próxima terça-feira terá como item único na pauta o projeto.

Além disso, alguns deputados atribuíram o adiamento ao receio de que fosse aprovado, em plenário, um destaque da Oposição para equiparar facções criminosas ao terrorismo.

Este ponto tem sido criticado pelo governo, empresários e especialistas em segurança pública pelo receio de trazer implicações internacionais para o Brasil, com brecha para intervenção militar dos Estados Unidos, além de impactos para o turismo.

A própria Cúpula da Câmara e deputados do Centrão não querem aprová-lo.

Embate político

Mas o projeto também virou uma disputa política entre oposição e governo, que, às vésperas de um ano eleitoral, querem colher frutos sobre o tema da segurança pública.

Governistas comemoraram ao longo da semana o que chamaram de “inabilidade” de Derrite na construção do relatório – em especial, segundo eles, as mudanças sobre as atribuições da Polícia Federal, uma instituição valorizada pela população.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse em trocadilho que o “relatório do Derrite derrete”.

O secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, avalia que o tema pautou as redes essa semana e alertou a sociedade sobre possíveis retrocessos na autonomia e condições de trabalho da Polícia Federal.

“A quantidade de recuos feitos pelo relator no texto já evidencia que a própria Direita sentiu que a sociedade estava contra a proposta”, disse.

Interlocutores de Hugo Motta, contudo, dizem que é um erro o governo contar vitória com o adiamento, já que o Planalto tem dificuldades para conseguir votos na Câmara.

Além disso, criticaram o que chamam de ofensiva do governo e do PT nas redes sociais contra os deputados – em especial, contra Derrite e o próprio Motta.

Nas palavras de um aliado, “o salto alto” do Planalto sobre o assunto pode acabar colocando no texto coisas que o governo não quer – como o ponto do terrorismo.

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