Marcão do Povo vai ao STF contra Anielle Franco por apoio a Ludmilla em caso de racismo

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Marcão do Povo, Anielle Franco e Ludmilla

O apresentador Marcão do Povo, do SBT, entrou com uma representação no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. O âncora pediu explicações sobre a nota divulgada pela pasta em apoio à cantora Ludmilla, no fim de 2025.

Na nota, o ministério prestou apoio a Ludmilla “diante do episódio de racismo sofrido por ela durante um programa de televisão”. O documento não cita diretamente Marcão do Povo, mas relaciona ele ao ocorrido, já que a nota foi divulgada após a artista desabafar sobre uma decisão judicial favorável a Marcão.

A defesa do apresentador pediu que o STF peça explicações para Anielle Franco, para que ela deixe claro se era de Marcão de quem falava. “Se ela confirmar que falava do Marcão, nós iremos processar a Anielle” diz Rannieri Lopes, advogado de Marcão do Povo.

“Nós temos duas decisões do STJ que dizem que o Marcão não cometeu racismo contra a cantora”, alega Rannieri. O STF deve notificar Anielle Franco para prestar os esclarecimentos nos próximos dias. Esta reportagem procurou Anielle Franco durante a tarde de quarta (7), mas não obteve retorno.

A nota de repúdio do Ministério da Igualdade Racial foi divulgada pela pasta no último dia 26. Nela, o órgão diz que qualquer forma de discriminação é inaceitável e se colocou à disposição de Ludmilla para ajudá-la no caso.

“O racismo, independentemente do espaço em que é praticado, fere a dignidade, reforça desigualdades históricas e fragiliza a democracia. Racismo é crime e não pode ser naturalizado, normalizado ou ignorado, assim como a liberdade de expressão não pode ser confundida com autorização para desrespeitar e praticar violências”, diz a nota.

Marcão do Povo, vale lembrar, tenta na Justiça tirar do ar o vídeo em que Ludmilla fala sobre a situação em suas contas nas redes sociais.

Marcão diz que o STJ o inocentou da acusação da cantora, em decisão de dezembro de 2024, que foi mantida após recurso neste ano.

No vídeo, Ludmilla alega que Marcão do Povo teve o comportamento preconceituoso reconhecido, mas que os advogados do apresentador usaram de uma manobra para que ele não fosse condenado. A tática foi dizer que houve um recurso fora do prazo. O STJ aceitou o argumento de Marcão.

“Ele não foi inocentado, gente. Na verdade, ele usou uma manobra para se livrar das consequências. A Justiça reconhece o racismo que ele cometeu comigo, contra mim. Mas ele não vai pagar nada por isso. É uma manobra processual absurda”, afirmou a cantora na publicação.

“Agora, o SBT, que é uma emissora histórica, que sempre representou a pluralidade do Brasil, precisa saber quem mantém em sua casa um apresentador condenado por racismo”, disse Ludmilla.

Relembre o caso

O conflito remonta a 2017, quando Marcão do Povo, então contratado da Record, chamou Ludmilla de “macaca” ao vivo durante um programa. O episódio resultou em processo judicial movido pela cantora e culminou na demissão do apresentador da emissora na época.

Marcão declarou publicamente que teria sido absolvido das acusações. Ludmilla rebateu, afirmando que o apresentador se valeu de uma “manobra processual” para não sofrer punições, embora o ato racista tenha sido reconhecido.

Atualmente, Marcão é apresentador do programa Primeiro Impacto, no SBT. A permanência do apresentador na emissora levou Ludmilla a se recusar a receber uma homenagem.

“Eu não posso aceitar uma homenagem enquanto essa mesma emissora continua dando voz, espaço e respaldo a pessoas que tiveram atitudes racistas”, afirmou.

 

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