Mala de dinheiro é jogada da janela durante operação da PF do caso Master; veja vídeo
Dinheiro localizado na terceira fase da Operação Barco de Papel, em SC - Divulgação/Polícia Federal
por Folha de S. Paulo
Uma pessoa jogou uma mala com dinheiro pela janela de um apartamento do 30º andar de um prédio em Balneário Camboriú (SC) na manhã da quarta-feira (11/2), durante busca e apreensão da terceira fase da Operação Barco de Papel, segundo a PF (Polícia Federal).
A mala foi jogada assim que os agentes chegaram ao imóvel, conforme a equipe que participou da ação. Os policiais também recolheram dois veículos de luxo, dois celulares e documentos. No total, foram apreendidos R$ 429 mil em espécie só com o dinheiro da mala, diz a PF.
A corporação investiga supostos crimes contra o sistema financeiro envolvendo investimentos no Banco Master com recursos do Rioprevidência, o fundo responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores do estado do Rio de Janeiro.
O objetivo da nova fase, segundo os investigadores, foi localizar e recuperar bens, valores e objetos que teriam sido retirados de imóvel do principal alvo da operação, que teve a primeira etapa deflagrada no Rio em 23 de janeiro.
O comunicado da PF não identificou os alvos da quarta (11/2), mas a Folha apurou que se trata de pessoas que estariam ligadas ao ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes. Elas teriam ajudado na obstrução da investigação e na ocultação de provas.
Procurada, a defesa do ex-presidente disse que está averiguando a situação.
Deivis foi preso no dia 3 de fevereiro, em Itatiaia (RJ), na segunda fase da Operação Barco de Papel. Na ocasião, a Polícia Federal disse que identificou suspeitas de retirada de documentos de apartamento do investigado e de manipulação de provas digitais, além da transferência de dois veículos de luxo para terceiros.
A PF também confirmou em 3 de fevereiro a prisão de outros dois homens na cidade catarinense de Itapema. São irmãos que teriam auxiliado o ex-presidente do Rioprevidência na retirada de documentos do Rio.
Os mandados de quarta (11/2) foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas, segundo a Polícia Federal.
O Rioprevidência é investigado por aplicações em letras financeiras do Master —títulos de renda fixa que não contam com garantias do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Homem que jogou mais de R$ 400 mil pela janela não era alvo da PF e virou investigado após episódio
O homem que arremessou uma mala com dinheiro pela janela do 30º andar de um prédio em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, na quarta-feira (11), não era alvo inicial da Polícia Federal. A TV Globo apurou, porém, que ele passou a ser investigado após o episódio.
Segundo a PF, foram recolhidos R$ 429 mil espalhados no chão. O caso aconteceu durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no imóvel, na 3ªa fase da Operação Barco de Papel, que apura crimes contra o sistema financeiro ligados à gestão de recursos do Rioprevidência, fundo de previdência do Estado do Rio de Janeiro.
Além do dinheiro, foram apreendidos dois veículos de luxo e dois celulares.
Um dos veículos, uma BMW branca, era usada pelo ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes e estava registrada em nome de uma empresa dos irmãos Rodrigo Schmitz e Rafael Schmit. Três dias após a 1ª fase da operação, houve uma tentativa de transferência do carro para terceiros.
Nesta etapa, os agentes cumprem dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nos municípios de Balneário Camboriú e Itapema. Os nomes dos alvos não foram divulgados.
As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas.
Prisão do ex-presidente do Rioprevidência
Na semana passada, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso por agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro, após retornar dos Estados Unidos. Ele é suspeito de obstrução de investigações e ocultação de provas.
A Operação Barco de Papel apura supostas irregularidades na aquisição de letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição recentemente liquidada pelo Banco Central. De acordo com as investigações, entre novembro de 2023 e julho de 2024, a RioPrevidência teria investido cerca de R$ 970 milhões no banco.
As investigações continuam para apurar responsabilidades e eventual prática de crimes contra o sistema financeiro nacional.