Irã diz que conversa com EUA foi encorajadora, mas que se prepara ‘para qualquer cenário’

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Masoud Pezeshkian, falando nas comemorações do 47º aniversário da Revolução Islâmica de 1979, em Teerã, Irã - Sha Dati - 11.fev.26/Xinhua

por AFP e Reuters

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou no domingo (22) que as recentes negociações com os Estados Unidos revelaram “sinais encorajadores”, mas enfatizou que Teerã permanecerá em vigilância contínua sobre as ações americanas.

“Continuamos monitorando de perto as ações dos EUA e tomamos todas as providências necessárias para qualquer cenário potencial”, disse ele em uma publicação na rede social X. Teerã e Washington retomaram as negociações no início deste mês, no momento em que a Casa Branca reforça sua capacidade militar no Oriente Médio.

Também no domingo (22), em entrevista à CBS News, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que espera uma nova rodada de negociações com altos funcionários americanos sobre o programa nuclear do Irã na próxima quinta-feira (26), em Genebra.

Araghchi disse que representantes iranianos estão trabalhando com o esboço de um texto. “Acredito que ainda há uma boa chance de se chegar a uma solução diplomática baseada em uma situação vantajosa para ambos os lados”, disse ele.

O ministro, porém, defendeu o direito do Irã de decidir sobre o enriquecimento de urânio, ao qual os EUA se opõem. “Como país soberano, temos todo o direito de decidir por nós mesmos”, afirmou, alertando para uma resposta em caso de ataque.

A nação afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos, embora enriqueça urânio a 60%, segundo a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica da ONU) —nível próximo dos 90% necessários para produzir armas nucleares e muito acima dos 3,67% exigidos em usinas nucleares comerciais.

“Se os EUA nos atacarem, temos todo o direito de nos defender. Será um ato de agressão deles e autodefesa de nossa parte”, disse. “Nossos mísseis não podem atingir território americano. Portanto, obviamente, teremos que atacar as bases americanas na região.”

Apesar da retórica de confronto, a agência de notícias Reuters afirma, com base em uma entrevista com um funcionário iraniano, que, pela primeira vez desde o fim das negociações na semana passada, Teerã está oferecendo novas concessões.

O funcionário afirmou que Teerã consideraria seriamente enviar metade de seu urânio mais enriquecido para o exterior, diluir o restante e participar da criação de um consórcio regional de enriquecimento —uma ideia levantada periodicamente.

Teerã faria isso em troca do reconhecimento, por parte dos EUA, do direito iraniano ao “enriquecimento nuclear pacífico”, em um acordo que também incluiria a suspensão das sanções econômicas, segundo o funcionário.

Além disso, o Irã ofereceu oportunidades para que empresas americanas participem como contratadas nos grandes setores de petróleo e gás iranianos, continuou o funcionário, o que poderia resolver décadas de disputa sobre as atividades nucleares de Teerã.

Ambos os lados continuam fortemente divididos, segundo a autoridade. A Casa Branca não respondeu imediatamente aos questionamentos sobre o assunto.

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