Advogado de vítima de estupro coletivo no RJ diz ter sido chamado de ‘vagabundo’ por pai de acusado

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Vitor Hugo Oliveira Simonin se apresentou à delegacia acompanhado do advogado Ângelo Máximo na quarta-feira (4) - Reprodução/GloboNews

por Folha de S.Paulo

O advogado Rodrigo Mondego, representante da adolescente de 17 anos vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro, afirma ter sido chamado de “vagabundo” por José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário da pasta de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do governo Cláudio Castro (PL).

José Carlos Simonin é pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, preso na quarta-feira (4) sob acusação de participação no estupro. Além dele, outros três homens foram presos, e um adolescente de 17 anos, considerado mentor do estupro, foi apreendido.

O ex-subsecretário foi procurado por ligação telefônica e mensagem por meio de número atribuído a ele, mas não houve resposta até a publicação deste texto. O perfil do ex-subsecretário no Instagram é privado, o que impede envio de mensagens.

O advogado Ângelo Máximo, que representa a defesa de Vitor Hugo, disse que “repudia a fala”. “Mondego deve ser respeitado como advogado, assim o advogado de qualquer de uma das partes. Vou conversar com o José Carlos a respeito”, disse. Na quinta-feira, Máximo disse que seu cliente afirma ser inocente.

Vitor Hugo também é investigado em outra suspeita de estupro que teria ocorrido em uma festa.

A mensagem atribuída a Simonin foi enviada por meio do Instagram às 23h50 de domingo (8), segundo reprodução divulgada por Mondego nas redes sociais. O horário coincide com reportagens sobre o caso que foram veiculadas em programas de televisão.

“Você também está querendo cinco minutos de fama. Vai trabalhar para pagar suas contas, vagabundo”, dizia a mensagem, segundo relato de Mondego.

“Vagabundo não sou, sou sim advogado e trabalho bastante. Inclusive para que seu filho continue enjaulado, respondendo na Justiça pelo estupro que lhe é imputado”, respondeu o advogado da adolescente, conforme relato.

José Carlos Simonin, que também é advogado, foi exonerado do cargo de subsecretário de Governança da secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do governo estadual no dia da prisão do filho. Ele ocupava o cargo desde 2022.

“Ele já me seguia há alguns dias, veio ontem com essa mensagem, eu prontamente respondi e, quando vi que ele visualizou, o bloqueei para não ficar de bate-boca”, afirma Mondego. O advogado avalia levar à Justiça o caso por coação durante o andamento do processo.

“A prioridade zero é o acolhimento da menina, com atendimento psicossocial. Em seguida, a responsabilização dos agressores sexuais. E no terceiro momento, vamos avaliar a coação no processo. Intimar o advogado da outra parte caracteriza crime.”

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