Lula oficializa número 2 de Alckmin para comandar Ministério da Indústria
Secretário-executivo do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, participa de evento em São Paulo - Ronny Santos - 9.dez.25/Folhapress
por Folha de S.Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nomeou na sexta-feira (3) o número dois do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias, como novo titular da pasta, após o afastamento de Geraldo Alckmin para as eleições deste ano.
O nome de Elias já era cotado para a sucessão do ministério, mas ainda dependia de confirmações, conforme mostrou a Folha. A exoneração de Alckmin foi publicada no Diário Oficial horas antes da nomeação do novo ministro.
Formado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru (SP), Márcio Elias também é doutor em Direito do Estado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo. Foi membro do Ministério Público e secretário de Justiça e da Cidadania no Governo do Estado, além de presidente da Fundação Casa. Ele ocupava a Secretaria-Executiva do Mdic desde janeiro de 2023.
Durante o processo de deliberação, o nome de Márcio França (então ministro do Empreendedorismo) também foi citado. França, no entanto, deixou o governo para uma possível candidatura ao Senado em São Paulo, cenário que ainda está sendo debatido com o presidente Lula.
Na semana passada, Lula havia indicado a aliados que poderia oferecer o posto no Mdic a França, para evitar um cenário em que ele concorresse ao Governo de São Paulo contra a chapa de Fernando Haddad, uma vez que França já havia manifestado a intenção de se lançar ao governo estadual novamente.
Com França fora do Mdic, agora a equipe de Lula deverá calcular como será a chapa do seu campo político em São Paulo, que além de já ter o nome de Simone Tebet como pré-candidata ao Senado pelo PSB, mesmo partido de França, também pode ter Marina Silva como candidata à segunda vaga no estado.
Segundo interlocutores do PT, Lula teria deixado o caminho livre para que o agora ex-ministro escolhesse qual cargo se lançar, tanto ao Senado quanto a vice de Haddad — além de alguma possibilidade de comandar o Mdic.
Ainda segundo esses relatos, uma possível candidatura de França ao Senado não criaria impasse com as demais, havendo possivelmente um remanejamento de nomes, como a inclusão de Tebet como vice de Haddad.
Junto à nomeação do novo chefe do Mdic, o governo oficializou Tadeu Alencar, como novo ministro do Empreendedorismo, no lugar de França. Neste caso, a pasta também ficou a cargo de seu número 2.
Relatos ouvidos pela Folha indicam que a escolha desagradou França, que teria preferência pelo nome de Mauricio Juvenal, Secretário Nacional de Ambiente de Negócios da pasta. Tadeu Alencar, por sua vez, é ligado ao prefeito do Recife, João Campos (também do PSB), o que teria irritado o antecessor do ministério.
Ao longo das discussões sobre a reestruturação da equipe do governo durante a disputa eleitoral deste ano, o presidente Lula disse querer que seus ministros fossem sucedidos por seus secretários-executivos, buscando manter os mesmos direcionamentos e entregas da gestão.
Até o momento, houve exceção na sucessão do Ministério da Agricultura e Pecuária, que passou para o comando de André de Paula, então ministro da Pesca.
Ainda nesta sexta, foi publicada a exoneração da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política do governo. Neste caso, o cargo ainda segue em aberto e o nome para sucessão definitiva ainda não foi definido.