Mulher de FHC concorda com interdição de ex-presidente e curatela de filho
Fernando Henrique Cardoso. Foto: ESTADÃO
Por Folha de S.Paulo
Patrícia Kundrát, 48, mulher de Fernando Henrique Cardoso, 94, concordou com a interdição do ex-presidente e com a nomeação de seu filho Paulo Henrique Cardoso como responsável pela curatela do pai.
O termo de anuência foi apresentado na segunda (20) e é procedimento necessário para a formalização da interdição. Os filhos do ex-presidente, Paulo Henrique, Luciana e Beatriz, ingressaram com o pedido por causa do agravamento do quadro de Alzheimer do pai. A solicitação foi instruída com laudo médico que atesta seu estado de saúde.
A interdição foi aceita pela Justiça de São Paulo no dia 15, mas a decisão da juíza dava prazo de 15 dias para que a mulher de FHC fosse ouvida.
O ex-presidente formalizou união estável com a ex-funcionária do Instituto Fernando Henrique Cardoso em 2014. Patrícia era administradora da entidade e exercia o cargo de secretária-executiva.
A família é representada na ação pelos advogados Caetano Berenguer, Fabiano Robalinho e Henrique Avila, do Bermudes Advogados.
O pedido de interdição dos filhos afirma que, diante do agravamento do Alzheimer, o ex-presidente tornou-se “incapaz para praticar os atos da vida civil”.
“O delicado quadro de saúde atual de Fernando Henrique Cardoso, e a confirmação de que os ora autores sempre foram os responsáveis pelos cuidados do pai, é igualmente atestada pelos depoimentos escritos apresentados por pessoas que mantêm, há décadas, íntima convivência com a família Cardoso”, diz o documento.
O processo tramita em sigilo.
Na decisão, a juíza justifica a nomeação de Paulo Henrique como responsável pelos atos civis e pela vida financeira e patrimonial do ex-presidente pelos “sinais da confiança depositada pelo requerido ao ora nomeado, constando como seu procurador”.
A situação de saúde comprometeria a validade das procurações outorgadas anteriormente por FHC aos filhos, o que motivou o pedido de interdição. O documento traz ainda comunicações entre familiares e a equipe de assistência ao ex-presidente, como por exemplo para a compra de materiais de cuidados médicos, e anexa as procurações já existentes.
A medida judicial vale provisoriamente para atos de gestão patrimonial, seguindo o pedido dos autores. Os demais atos só serão incluídos após perícia médica prevista em lei.
Fernando Henrique governou o país de 1995 a 2002. Após deixar a Presidência, não ocupou mais cargos públicos, mas permaneceu ativo no debate político, dentro do PSDB ou por meio de sua fundação.
Mais recentemente, sua aparição pública de mais destaque ocorreu em 2022, quando declarou publicamente voto no ex-adversário Lula (PT) na disputa presidencial contra Jair Bolsonaro (PL). Um vídeo com a declaração foi usado no programa eleitoral do petista na ocasião.